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  • FORMAS DE POUPAR

  • Custo da habitação | Lisboa


    Visitante alex valente

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    Visitante alex valente

    Olá a todos,

    Dou início a este tópico, não só na esperança de ver algumas das minhas dúvidas esclarecidas, como também - quiça - encontrar alguém na mesma situação e podermos, todos, usufruir da partilha de informação e ideias.

    Neste momento, eu e a minha esposa estamos à procura de casa em Lisboa com, pelo menos, mais uma divisão que a nossa. Ou seja, um T3 ou mais. Há sensivelmente 5/6 anos estivemos quase para "mergulhar de cabeça" numa coisa que nos parecia disparatada (pequena moradia para remodelar), e em plena recessão decidimos refrear-nos. Não só os bancos não estavam a emprestar com facilidade, como seria - na nossa opinião - um risco demasiado elevado.

    Desta feita, e porque a economia parece estar a estabilizar, começámos de novo a nossa procura. Todavia - e apesar de sabermos como funciona uma economia neoliberalista - nunca pensámos que o mercado da habitação em Lisboa estivesse a sofrer aquilo que considero ser a maior vaga de especulação imobiliária a que já assisti nesta cidade!

    Bem sei que o turismo tem transformado a capital, muito provavelmente um dos maiores motores da requalificação de alguma habitação situada nas zonas históricas, mas que parece ter suscitado uma desmesurada inflação de todo o mercado imobiliário. Conclusão: um T3 novo numa zona como os Olivais (só para citar um exemplo), ronda meio milhão de Euros!

    Bem, só posso assumir que escolhi mal a minha profissão. Pergunto-me como num país em decréscimo demográfico existem tantas famílias (supostamente da classe média), a pagar meio milhão de Euros por um apartamento, ainda por cima quando num condomínio como aquele o número de fogos ascende a mais de 3 centenas!

    Eu peço antecipadamente desculpa por este meu desabafo. O propósito deste tópico nem sequer é esse. Todavia, serve como prelúdio do tema que quero tratar e nele está expressa a minha motivação.

    A questão passa por tentar perceber como um casal da classe média (supunha eu! Temos um rendimento mensal ligeiramente acima dos 3000€, com um filho), compra casa em Lisboa, com 3 quartos, área circundar os 110/130mt2, nesta altura de pura especulação imobiliária, mas numa zona minimamente simpática da cidade.

    Sei que, nos bons velhos tempos, muitos fogos se construíram na zona do Parque das Nações por cooperativas de habitação, com as quais habitualmente se estabelecem padrões de baixa qualidade, mas pelos vistos nem sempre é assim.

    Este tópico pode parecer completamente idiota! Talvez se, numa outra altura eu lesse as minhas próprias palavras poderia muito bem pensar: "Ora aqui está um 'caramelo' que está à procura da galinha dos ovos de ouro".

    Talvez esteja apenas em estado de choque pela forma como acabo de presenciar esta realidade. Estou há uma semana a visitar imobiliárias e é simplesmente assustador o que se pede por um pedaço de tijolo e betão nesta cidade.

    Se houver, "desse lado do cabo", alguém com as mesmas preocupações e interesse, gostaria de os ouvir (ler). Tenho a impressão que esta é uma nova "bolha" a que estamos a assistir, e não sei até que ponto as pessoas que compram apartamentos ao custo de hoje não se verão defraudados daqui a 10 anos quando os quiserem, se quiserem, vender.

    Mas acima de tudo, haverá soluções pragmáticas neste momento? Existem cooperativas a construir com alguma qualidade nos dias de hoje na zona da capital? 

    Agradeço antecipadamente os vossos comentários,

    Alexandre

    • Voto Positivo 1
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    Uma solução passa por não comprar uma casa nova. Dentro de casas em segunda-mão encontram-se preços menos ridículos. Claro que é preciso uma escolha criteriosa para não comprar nada a cair aos bocados, mas deve haver negócios razoáveis por aí.

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    Tópico interessante.

    Considero um desabafo legítimo de se fazer, mas tal como fez logo de seguida, é necessário olhar para Lisboa (e o Porto) como autênticos destinos de eleição do turismo. A somar o BOOM do negócio do alojamento turístico (legal e clandestino), com aparecimento de negócios como o AirBnB, explica-se este momento do mercado imobiliário.

    No meu caso pessoal, soube comprar no centro da cidade (Porto) quando o mercado estava em baixo, e agora estou a tirar dividendos desse investimento. Foi um risco, e só o consegui fazer porque tinha liquidez.

    No entanto, tenho amigos e conhecidos todos na mesma situação, tanto na compra como no arrendamento. 

    Dou um exemplo de um absurdo no mercado de arrendamento no Porto: T0 Kitchnet no`centro Porto (remodelado e muito bem localizado), com cerca de 70m2. Valor mensal: €800.

    Também gostava de ler mais opiniões sobre este tema. Lamento desde já ter introduzido o Porto no meio, mas é onde tenho mais conhecimento do mercado.

    Editado por dpinto
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    Comprar no centro de Lisboa para habitação neste momento é um luxo.

    Mas mais do que uma bolha parece-me que houve um ajustamento dos preços ao novo valor (turistico) de Lisboa. O turismo está a aumentar a um ritmo alucinante e não dá mostras de parar portanto não me parece que um imóvel bem localizado em Lisboa esteja sujeito a perder valor com o passar do tempo. Qualquer pedacinho de teto em Lisboa se arrenda a estudantes ou turistas, a longo prazo ou airbnb em questão de dias, portanto pode haver bons investimentos nesse sentido... agora para habitação mesmo é um facto que agora custa mais conseguir comprar.

    Editado por quirino
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    • 1 year later...

    Lisboa está actualmente muito sobrevalorizada, na minha opinião:

    Pergunto uma coisa:

    Qual é a real razão para quererem comprar vs arrendar? Deve perguntar-se se faz sentido comprar casa, especialmente num mercado tão sobrevalorizado como o actual.

    O arrendamento tem várias vantagens vs a compra;

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    • 1 year later...
    A 27/06/2019 às 14:53, quirino disse:

    E a bolha em Lisboa não ia rebentar?

    Já ando desde 2015 a ouvir que é má altura para comprar... mas se tivesse comprado em 2015 onde é que já não ia a minha valorização.

      

    Não sendo nenhum perito em imobiliário:

    - As valorizações valem o que valem. Preço de venda <> Valorização. Se o Jeff Bezos vendesse todas as acções da Amazon amanhã, a valorização vinha por aí abaixo. Portanto o valor é estimado e hipotético.

    - Continuo a achar que o número de gruas a trabalhar que se veem na cidade de lisboa vs o número de pessoas que tem 400K para dar por um t2 vai criar força do lado da oferta enquanto a procura vai diminuir. Nem que seja quando o BCE começar a subir os juros. Quero ver quem é que em Portugal tem estofo para aguentar 400K de divida ao banco com a taxa a 4% + spreed.

    Espero estar cá para ver.

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    A 30/06/2019 às 14:37, IceMan1910 disse:

    Quero ver quem é que em Portugal tem estofo para aguentar 400K de divida ao banco com a taxa a 4% + spreed.

    Espero estar cá para ver.

    Se calhar é melhor por a pegunta: Quem é que Espanha/França/Alemanha Reino unido tem estofo para 400k por uma casa?

     

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    • 3 weeks later...
    A 30/06/2019 às 14:37, IceMan1910 disse:

    - Continuo a achar que o número de gruas a trabalhar que se veem na cidade de lisboa vs o número de pessoas que tem 400K para dar por um t2 vai criar força do lado da oferta enquanto a procura vai diminuir. Nem que seja quando o BCE começar a subir os juros. Quero ver quem é que em Portugal tem estofo para aguentar 400K de divida ao banco com a taxa a 4% + spreed.

    Em princípio as Euribor vão continuar negativas durante os próximos 3 a 5 anos, o Draghi lançou essa medida e a Lagarde já confirmou que é para manter, portanto o "Dinheiro Gratuito" para os Bancos europeus vai continuar ...

    Dessa forma, o que vai diferenciar a oferta dos bancos são as condições de Spread .. como se pode ver em Portugal penso que não vai faltar muito tempo para começarem os Spreads 0.X% ..

    Um casal que tire 3000€ líquidos/mês consegue suportar a prestação mensal + Seguros para um CH de uma casa de 400K ( ~1000€/mês a 30 anos ), penso que o principal problema neste momento não é a taxa de esforço ( que poderá andar no limite dos ~35% ), mas sim os 20% de Entrada + Impostos.

    Para essa hipotética casa de 400K, o casal terá que dar de entrada 20% + IMT + IS qualquer coisa como 106 000€ ..

    A grande questão é .. esse casal tem esses 106K ? Mesmo que tenha de recorrer a familiares directos, há capacidade para tal ...?

    Mesmo que tenham imaginemos, 150K de poupança, estarão na disposição de enterrar 106K e ficar "apenas" com 44K poupado .. ?

    Que outro tipo de despesas fixas é que esse casal tem ? Tem outros Créditos ( Automóvel / Pessoal ) ? Qual é o seu estilo de vida ? Gostam de trocar de carro com frequência ? Gostam de viajar com frequência ? Tudo isso são factores importantes para se perceber numa eventual aquisição e numa eventual Crise nos próximos anos, se estão disponíveis a arriscar ou não, visto que basta 1 dos elementos ficar desempregado temporariamente para rebentarem o orçamento ..

    A 02/07/2019 às 12:19, ruicarlov disse:

    Se calhar é melhor por a pegunta: Quem é que Espanha/França/Alemanha Reino unido tem estofo para 400k por uma casa?

    Pelo menos em França / Alemanha / Reino Unido tendo em conta que facilmente uma pessoa com um cargo minimamente qualificado saca 2000 - 5000€ / mês ( consoante o emprego ), basta ser um casal a ganhar isso a dobrar para facilmente terem aprovação para um CH de uma casa de 400K ..

    Quanto ao tema do tópico e em linha do que referi no último post, como o "dinheiro barato" deverá continuar durante mais 3 a 5 anos, a tendência infelizmente será a de contínuo aumento dos preços das casas ... sejam elas novas ou remodeladas .. enquanto houver capacidade para a malta ir pedir CH ..

    Comprar casa em Lisboa e áreas circundantes de Lisboa ( Margem Norte ) está proibitivo e mesmo na Margem Sul já se nota isso, mesmo assim ainda é possível comprar um T3 com ~100m2 remodelado a 30 minutos de Lisboa utilizando transportes públicos por 100 - 150K ... 

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