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  • FORMAS DE POUPAR

  • Orientação para divisão em separação ou herança


    PedroFerreira2

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    PedroFerreira2

    Boa tarde,

    Procuro ajuda e orientação sobre uma situação pessoal.

    Encontro-me em união de facto fará quase 6 anos. Temos uma filha.
    Desde o início da relação que fui sempre eu quem trabalhou. Decidimos que a minha companheira ficaria a tempo inteiro em casa com a situação da maternidade. Ficou grávida praticamente desde o início da relação.
    Ultimamente temos falado em separação, não no sentido de o fazer mas sobre os direitos de cada um. A minha companheira receia ficar sem uma base económica para seguir o seu próprio caminho se um dia sair da relação.
    Nesse sentido, preciso de orientação para fazer um acordo justo para ambas as partes.

    - O património que ela tinha antes da relação está intacto: não foi movimentada a conta bancária. Todas as despesas foram sempre realizadas a partir dos rendimentos que obtive.
    - No decorrer da relação adquiri algumas propriedades, sempre a partir dos meus rendimentos (adquiridos antes da relação e durante) e em meu nome.
    - Planeei trabalhar intensivamente, em grande parte do ano, 7 dias por semana, para ter bons rendimentos para que ao chegar aos 40 anos pudesse abrandar o ritmo e ter uma vida "folgada". Salvo algum percalço (como perda substancial de rendimentos - que está a acontecer com esta crise), conseguirei. Com isto houve naturalmente lugar a sacrifícios... vida social, amigos, presença na relação.

    Nunca pensei na situação de separação mas concordo que seja algo que deva ser abordado e acordado enquanto tudo está bem.

    Sei que pela via legal, em caso de separação em união de facto, pouco mais a fazer há do que "cada um fica com o que ganhou ou adquiriu".
    Uma pensão de alimentos e assegurar o futuro da minha filha estaria sempre salvaguardado.

    Após uma discussão em como ela se sacrificou para eu poder livremente trabalhar (o que concordo) e em como sacrificou a sua carreira e em como será mais difícil encontrar emprego por ter mais idade pois quando iniciou relação estava no início de carreira e não construiu currículo, procuro uma solução justa.
    Não considero uma solução de divisão de 50% justa por vários motivos:
    - Se eu planeei ter bons rendimentos nesta fase da vida e desconheço se de futuro os continuarei a ter, perder 50% e não voltar no futuro e ter tão bons rendimentos significa que irei sempre ficar com menos. Auferir uma % é diferente de acordar um valor. Se eu ganho 10mil, a minha companheira sai a ganhar muito mais do que se eu ganhar mil. No entanto, o facto de eu ganhar mil ou 10mil somente a mim diz respeito e é mérito somente meu e para tal contribuiu todo um percurso de muitos anos que antecede a relação.
    Assim, se em algumas relações, o orçamento é "chapa ganha chapa gasta" e não há lugar a divisões pois nada existe para dividir, já naquelas em que uma das partes ganha muito mais (ou é o único a ganhar), sai a outra das partes beneficiada por isso sem ter qualquer mérito e responsabilidade para tal?

    Estamos a um passo de adquirir propriedade e construir casa. E esse foi o ponto que lançou o tema. Pois mais uma vez, iria ser adquirida em somente meu nome. Supondo que são gastos na totalidade 500mil euros, é justo que após 6 anos de relação (se a separação se der a breve prazo), a outra parte fique com 250mil euros quando eu já não perspectivava ter que voltar a trabalhar de forma tão intensiva ou talvez nem sequer tenha oportunidade de voltar a receber os mesmos rendimentos?
    Num longo espaço temporal, uma relação de 6 anos terá sido um "breve" período da minha vida. Se eu tiver 3 relações e deixar uma casa para cada uma das relações, no final, ficarei sem nenhuma. Terá mais quem comigo esteve do que eu próprio.

    Claro que se a pessoa que está comigo se dedicou à maternidade e não pode por isso trabalhar e me deixou a mim livre para poder trabalhar, ela terá direitos.

    De que forma acham que chegaremos a justo acordo?
    Pensei em várias hipóteses mas preciso de orientação externa para não dar de mais nem de menos.

    Opção 1
    - Acordar que na separação receberá valor como por ex. 1000 Euros por mês x os meses de todos os anos que a relação durou? É justo? Ou, até mesmo a esse valor se deduzir em 50% as despesas familiares? Ou seja, se 6 anos de relação = 72mil euros, deduzir 50% de 700euros de despesas mensais familiares ou seja, 350eur/mes, 25200 Euros menos os 72mil = 46800 Eur ? Sendo que neste caso nem renda existe para descontar uma vez que adquiri casa própria.

    Opção 2
    - Ter uma conta conjunta, todos os meses depositar um valor meu e dela ou seja, por ex. 1000 Eur por ela + 1000 eur por mim, 2000 Eur total. As nossas despesas conjuntas, saem dessa conta. Na separação, do que sobrar, é dividido a 50%. Despesas que eu faça pessoais minhas (por ex. Ferramentas, restaurantes apenas eu…), saem de uma outra conta minha.
    O que está para trás seria considerado ou seja, a conta receberia 2000 Eur x os meses x anos já passados em relação com desconto de uma média de despesas familiares.

    Em qualquer opção e para garantir segurança, faria testamento em como em caso de morte os meus bens e casa passariam para ela e minha filha.

    Também, em como após, por ex. 30 anos de relação, ela passaria a ser proprietária da casa e outros bens.

    Agradeço uma orientação. Muito obrigado.

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    há 19 horas, PedroFerreira2 disse:

    Boa tarde,

    Procuro ajuda e orientação sobre uma situação pessoal.

    Encontro-me em união de facto fará quase 6 anos. Temos uma filha.
    Desde o início da relação que fui sempre eu quem trabalhou. Decidimos que a minha companheira ficaria a tempo inteiro em casa com a situação da maternidade. Ficou grávida praticamente desde o início da relação.
    Ultimamente temos falado em separação, não no sentido de o fazer mas sobre os direitos de cada um. A minha companheira receia ficar sem uma base económica para seguir o seu próprio caminho se um dia sair da relação.
    Nesse sentido, preciso de orientação para fazer um acordo justo para ambas as partes.

    - O património que ela tinha antes da relação está intacto: não foi movimentada a conta bancária. Todas as despesas foram sempre realizadas a partir dos rendimentos que obtive.
    - No decorrer da relação adquiri algumas propriedades, sempre a partir dos meus rendimentos (adquiridos antes da relação e durante) e em meu nome.
    - Planeei trabalhar intensivamente, em grande parte do ano, 7 dias por semana, para ter bons rendimentos para que ao chegar aos 40 anos pudesse abrandar o ritmo e ter uma vida "folgada". Salvo algum percalço (como perda substancial de rendimentos - que está a acontecer com esta crise), conseguirei. Com isto houve naturalmente lugar a sacrifícios... vida social, amigos, presença na relação.

    Nunca pensei na situação de separação mas concordo que seja algo que deva ser abordado e acordado enquanto tudo está bem.

    Sei que pela via legal, em caso de separação em união de facto, pouco mais a fazer há do que "cada um fica com o que ganhou ou adquiriu".
    Uma pensão de alimentos e assegurar o futuro da minha filha estaria sempre salvaguardado.

    Após uma discussão em como ela se sacrificou para eu poder livremente trabalhar (o que concordo) e em como sacrificou a sua carreira e em como será mais difícil encontrar emprego por ter mais idade pois quando iniciou relação estava no início de carreira e não construiu currículo, procuro uma solução justa.
    Não considero uma solução de divisão de 50% justa por vários motivos:
    - Se eu planeei ter bons rendimentos nesta fase da vida e desconheço se de futuro os continuarei a ter, perder 50% e não voltar no futuro e ter tão bons rendimentos significa que irei sempre ficar com menos. Auferir uma % é diferente de acordar um valor. Se eu ganho 10mil, a minha companheira sai a ganhar muito mais do que se eu ganhar mil. No entanto, o facto de eu ganhar mil ou 10mil somente a mim diz respeito e é mérito somente meu e para tal contribuiu todo um percurso de muitos anos que antecede a relação.
    Assim, se em algumas relações, o orçamento é "chapa ganha chapa gasta" e não há lugar a divisões pois nada existe para dividir, já naquelas em que uma das partes ganha muito mais (ou é o único a ganhar), sai a outra das partes beneficiada por isso sem ter qualquer mérito e responsabilidade para tal?

    Estamos a um passo de adquirir propriedade e construir casa. E esse foi o ponto que lançou o tema. Pois mais uma vez, iria ser adquirida em somente meu nome. Supondo que são gastos na totalidade 500mil euros, é justo que após 6 anos de relação (se a separação se der a breve prazo), a outra parte fique com 250mil euros quando eu já não perspectivava ter que voltar a trabalhar de forma tão intensiva ou talvez nem sequer tenha oportunidade de voltar a receber os mesmos rendimentos?
    Num longo espaço temporal, uma relação de 6 anos terá sido um "breve" período da minha vida. Se eu tiver 3 relações e deixar uma casa para cada uma das relações, no final, ficarei sem nenhuma. Terá mais quem comigo esteve do que eu próprio.

    Claro que se a pessoa que está comigo se dedicou à maternidade e não pode por isso trabalhar e me deixou a mim livre para poder trabalhar, ela terá direitos.

    De que forma acham que chegaremos a justo acordo?
    Pensei em várias hipóteses mas preciso de orientação externa para não dar de mais nem de menos.

    Opção 1
    - Acordar que na separação receberá valor como por ex. 1000 Euros por mês x os meses de todos os anos que a relação durou? É justo? Ou, até mesmo a esse valor se deduzir em 50% as despesas familiares? Ou seja, se 6 anos de relação = 72mil euros, deduzir 50% de 700euros de despesas mensais familiares ou seja, 350eur/mes, 25200 Euros menos os 72mil = 46800 Eur ? Sendo que neste caso nem renda existe para descontar uma vez que adquiri casa própria.

    Opção 2
    - Ter uma conta conjunta, todos os meses depositar um valor meu e dela ou seja, por ex. 1000 Eur por ela + 1000 eur por mim, 2000 Eur total. As nossas despesas conjuntas, saem dessa conta. Na separação, do que sobrar, é dividido a 50%. Despesas que eu faça pessoais minhas (por ex. Ferramentas, restaurantes apenas eu…), saem de uma outra conta minha.
    O que está para trás seria considerado ou seja, a conta receberia 2000 Eur x os meses x anos já passados em relação com desconto de uma média de despesas familiares.

    Em qualquer opção e para garantir segurança, faria testamento em como em caso de morte os meus bens e casa passariam para ela e minha filha.

    Também, em como após, por ex. 30 anos de relação, ela passaria a ser proprietária da casa e outros bens.

    Agradeço uma orientação. Muito obrigado.

    Em certa altura da minha vida, tive um problema semelhante em que ganhava entre 3 a 4x mais do que a minha companheira. O que decidimos foi que cada um pagava uma percentagem das coisas relativamente ao ordenado para ser o mais justo possivel.

    Basicamente ambos os ordenados entravam numa conta conjunta e a partir dai dividíamos o que ia para a conta pessoal de cada um de nos e o que ficava na conta conjunta era para "despesas da casa".

    Tudo o que fosse gastos pessoais, cabeleireiros, unhas, material, arranjos de carros saia da conta pessoal de cada um. Saúde acordámos que seria da conjunta pois nenhum teria culpa de estar doente. Correu muito bem mesmo e apesar de teoricamente "ficar a perder".

    Agora neste caso em que a esposa não tem qualquer rendimento é uma situação muito mais complicada.

    Vejamos, ela passa o dia inteiro com a criança, não sei onde mora mas na minha zona uma escola custa até aos 2 anos perto de 500€ por mês e após os dois anos uma media de 400€. No meu caso estes valores teria sido dinheiro que poupei que poderia ter que fazer entrar na conta. Se está em casa passa a roupa, lava a loiça, quanto custa uma empregada doméstica à hora? O tempo que está em casa, e tendo em conta a suposta profissão dela teriam rendido quanto?

    Quanto dinheiro conseguiu (quer em tempo quer em €€) amealhar pelo facto de ela não trabalhar?

    São muitas contas à mistura e a quantidade de propriedades não ajuda nada e percebo o cerne da questão. Eu p.ex não concordo em construírem nesta altura uma nova casa (supostamente para ambos) e só ficar em seu nome. Mas vocês deverão ter as vossas razões para isso.

     

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    PedroFerreira2
    há 5 horas, Wakka disse:

    Em certa altura da minha vida, tive um problema semelhante em que ganhava entre 3 a 4x mais do que a minha companheira. O que decidimos foi que cada um pagava uma percentagem das coisas relativamente ao ordenado para ser o mais justo possivel.

    Basicamente ambos os ordenados entravam numa conta conjunta e a partir dai dividíamos o que ia para a conta pessoal de cada um de nos e o que ficava na conta conjunta era para "despesas da casa".

    Tudo o que fosse gastos pessoais, cabeleireiros, unhas, material, arranjos de carros saia da conta pessoal de cada um. Saúde acordámos que seria da conjunta pois nenhum teria culpa de estar doente. Correu muito bem mesmo e apesar de teoricamente "ficar a perder".

    Agora neste caso em que a esposa não tem qualquer rendimento é uma situação muito mais complicada.

    Vejamos, ela passa o dia inteiro com a criança, não sei onde mora mas na minha zona uma escola custa até aos 2 anos perto de 500€ por mês e após os dois anos uma media de 400€. No meu caso estes valores teria sido dinheiro que poupei que poderia ter que fazer entrar na conta. Se está em casa passa a roupa, lava a loiça, quanto custa uma empregada doméstica à hora? O tempo que está em casa, e tendo em conta a suposta profissão dela teriam rendido quanto?

    Quanto dinheiro conseguiu (quer em tempo quer em €€) amealhar pelo facto de ela não trabalhar?

    São muitas contas à mistura e a quantidade de propriedades não ajuda nada e percebo o cerne da questão. Eu p.ex não concordo em construírem nesta altura uma nova casa (supostamente para ambos) e só ficar em seu nome. Mas vocês deverão ter as vossas razões para isso.

     

    Obrigado pela resposta.

    A miuda está na escola, uns 3 dias por semana ela está tranquila e livre para os seus passatempos. Mas tempos houveram em que estava os 7 dias semana dedicada. Daqui a uns 2 anos a miuda já faz tempo inteiro na escola e ela provavelemnte quererá trabalhar. Vou aproveitar as dicas.

    Neste momento o plano que pondero é comprar no nome dos dois a casa e ficar assumido que o valor da entrada é 50% de cada um. Depois ao longo dos anos as prestações saem da conta conjunta e assim aos poucos, ano após ano de relação, a casa vai sendo cada vez mais de cada um. Na conta conjunta, enquanto for apenas eu a trabalhar, apenas eu coloco dinheiro. Ela depois podendo trabalhar, também lá coloca. No final em caso de separação, 50% do que sobrou para cada um.

     

    Assim também evito a questão de ter que apurar valores de quanto vale o seu trabalho como mãe... que não tem preço.

    Obrigado.

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