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    Moody's e Fitch lançam alerta sobre bancos portugueses

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    Moody's avisa que necessidade de Estado vir a ter que apoiar os bancos pode ser mais provável do que se pensava e Fitch aponta para ajuda de UE/FMI a "outro país" após a Irlanda.

    Os juros da dívida pública portuguesa voltam a encaminhar-se para a perigosa barreira dos 7%, que o próprio ministro das Finanças definiu como o limite a partir do qual Portugal deveria recorrer à ajuda da UE e do FMI. Depois de novo ataque das agências de notação financeira, a semana encerrou com as Obrigações do Tesouro a dez anos a cotarem nos 6,3%, contra 5,9% uma semana antes e após cinco sessões de subidas consecutivas, que praticamente anularam os ganhos da semana anterior.

    Ontem foi a vez da Moody's anunciar a sua decisão de colocar sob vigilância os bancos portugueses, "tendo em vista uma possível degradação" das respectivas notações financeiras, à semelhança do que a Standard & Poor's já tinha feito e um dia a seguir à Fitch ter avisado que "é provável que outro país" tenha que recorrer à ajuda da UE/FMI, além da Grécia e da Irlanda.

    Na mira da Moody's estão os cinco maiores bancos portugueses - BPI, BCP, BES, CGD e Santander Totta, entre uma dezena de entidades financeiras, devido à sua "grande dependência do BCE, enquanto o mercado internacional continua fechado" à banca nacional, justifica a agência americana. Aponta ainda para a sua decisão as "medidas de austeridade por parte do Governo e o seu impacto na qualidade dos activos bancários". Como se não bastasse, manifesta dúvidas quanto ao futuro dos negócios dos bancos portugueses, podendo levar à necessidade de um apoio estatal.

    A subida dos juros ontem reflectiu também os alertas feitos no final de quinta-feira pela Fitch, que assinalou a "deterioração dramática" das condições de financiamento de vários países, admitindo o recurso à ajuda da UE e do FMI por "outro país" a seguir à Irlanda e recomendando "medidas adicionais para reforçar a confiança na estabilidade da Zona Euro".

    O vice-presidente do BCE, Vítor Constâncio, também insistiu ontem, em entrevista à Bloomberg, na necessidade de um reforço do fundo de resgate europeu e de aumentar a sua flexibilidade. "Mais flexibilidade nos recursos da zona euro seria útil", frisou, a poucos dias do Conselho europeu, onde a resposta à crise da dívida soberana volta a ser o prato principal, com Merkel e Sarkozy a ameaçarem causar uma "indigestão".

    in: DN 11-11-2010

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