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Vertente técnica no ensino universitário

14 publicações neste tópico

É evidente que este fórum se destina maioritariamente a assuntos de índole económica e financeira. Contudo, achei importante introduzir este tópico que me parece pertinente!

As licenciaturas hoje em Portugal, são esmagadoramente na área técnica, proveniente dos agrupamentos científicos do Secundário! Com a crise mundial, as falências em catadupa, a não perdoar qualquer sector de actividade, pergunto-me até que ponto é legítimo "induzir" a malta nova, para as engenharias, economia e gestão e outros cursos muito científicos...

Não irá  acontecer dentro de alguns anos, a existência de excesso de oferta para as necessidades do país? É que programação é coisa que não existe! E o mesmo se aplica aos cursos tecnológicos e profissionais, que o Sr. Primeiro Ministro, afirma terem atingido o número de 99000 alunos, este ano. Se bem que nesta última questão, se tenta reinventar (mal), os cursos técnicos existentes até ao 25 de Abril (Comerciais e Industriais) de tão boa memória!

E os cursos de humanidades, ficarão votados ao ostracismo, quando vergonhosamente se observam nos debates televisivos e radiofónicos, pessoas com licenciaturas e mestrados em áreas científicas, cometerem autênticos atentados à língua portuguesa?

Fica para reflexão...

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Já fiz a mim mesmo essa questão. Conheço melhor o Secundário que o Superior e verifica-se um grande aumento de cursos técnicos e profissionais.

Tenho as minhas dúvidas se são necessários tantos cursos, logo alunos, e pelo que sei continuarão a aumentar. Independentemente disso, julgo que os alunos que frequentam o ensino profissional actualmente vêm de extractos sociais muito frágeis (nem todos, claro) e da forma como o Ensino está organizado não caberiam noutros cursos, logo, abandonariam a escola sem qualquer qualificação. Aliás, acontecia o mesmo há uns anos atrás. Os próprios cursos das escolas comerciais e industriais eram povoados de alunos que tinham fracos recursos. Dizia-se e diz-se que os alunos das Escolas Técnicas formavam-se para trabalhar e os do Liceu para continuar a estudar.

Na actual conjuntura considero um erro a quase massificação do ensino profissional. Iremos ter especialistas em contabilidade, secretariado, organização de eventos, turismo, acção social....... , com uma formação técnica forte e com grandes lacunas ao nível da formação geral, onde se inclui a língua portuguesa.

No entanto, também me parece que há muita gente de Humanidades sem qualquer saída profissional. Não sei quantificar os licenciados de Línguas, de Filosofia de História, para citar alguns, que estão a fazer outros cursos (requalificar-se!) e quase sempre de Ciências!

Para concluir, seria bom que o Português, disciplina transversal a todos os cursos, tivesse um tratamento idêntico em todos os cursos, evidentemente mais aprofundado nos de Humanidades.

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Ora ai está um assunto com o qual discordo absolutamente.

Não acho nada que estejam a ser formados alunos a mais no ensino técnico, isto porque nos últimos 30 anos não saiu quase ninguém. >:(

E sim, acho que o Português e a Filosofia deviam desaparecer nos cursos tecnológicos, porque não servem para nada. Cursos tecnológicos para mim são a mecânica, a electricidade, a mecatrónica e a construção civil na parte de higiene e segurança no trabalho. ;D

Se os cursos de humanidades não têm Matemática porque hão-de os tecnológicos ter Português e Filosofia?  :P

Se não acham isto vão à página do netemprego.gov.pt e procurem as áreas de trabalho mais solicitadas pelas empresas...  ::)

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Ora ai está um assunto com o qual discordo absolutamente.

Não acho nada que estejam a ser formados alunos a mais no ensino técnico, isto porque nos últimos 30 anos não saiu quase ninguém. >:(

E sim, acho que o Português e a Filosofia deviam desaparecer nos cursos tecnológicos, porque não servem para nada. Cursos tecnológicos para mim são a mecânica, a electricidade, a mecatrónica e a construção civil na parte de higiene e segurança no trabalho. ;D

Se os cursos de humanidades não têm Matemática porque hão-de os tecnológicos ter Português e Filosofia?  :P

Se não acham isto vão à página do netemprego.gov.pt e procurem as áreas de trabalho mais solicitadas pelas empresas...  ::)

Pois eu acho que essa é uma visão completamente redutora do que deve conter um programa de um curso, seja ele qual for. Lá porque alguém se forma em Matemática não deve ter a obrigação de conhecer a língua portuguesa e, sobretudo, fazer bom uso dela? Ou, por outro lado, lá porque alguém que se forma em Antropologia não deve ter a obrigação de ter conhecimentos mínimos de Matemática?

Da mesma forma, por que razão não hão de ter os cursos tecnológicos disciplinas como Português ou Filosofia? Se me disser que um curso tecnológico na Letónia não deve ter uma disciplina como Português, porque "não serve para nada", aí estou de acordo consigo, porque pode aprender a língua noutro contexto, se quiser. Agora, dizer em Portugal que um curso tecnológico, seja ele qual for, não deve ter Português no seu programa, parece-me totalmente descabido. E se calhar por isso é que se vêem os atropelos constantes à língua portuguesa, todos os dias, em todo o lado. 

Todas as matérias e disciplinas fazem parte do enriquecimento pessoal. É para isso que servem! Posteriormente, faz-se mais uso de umas do que de outras, mas todas servem para alguma coisa. É preciso é ter a mente aberta para isso.  ;)

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Pois eu acho que essa é uma visão completamente redutora do que deve conter um programa de um curso, seja ele qual for. Lá porque alguém se forma em Matemática não deve ter a obrigação de conhecer a língua portuguesa e, sobretudo, fazer bom uso dela? Ou, por outro lado, lá porque alguém que se forma em Antropologia não deve ter a obrigação de ter conhecimentos mínimos de Matemática?

Da mesma forma, por que razão não hão de ter os cursos tecnológicos disciplinas como Português ou Filosofia? Se me disser que um curso tecnológico na Letónia não deve ter uma disciplina como Português, porque "não serve para nada", aí estou de acordo consigo, porque pode aprender a língua noutro contexto, se quiser. Agora, dizer em Portugal que um curso tecnológico, seja ele qual for, não deve ter Português no seu programa, parece-me totalmente descabido. E se calhar por isso é que se vêem os atropelos constantes à língua portuguesa, todos os dias, em todo o lado. 

Todas as matérias e disciplinas fazem parte do enriquecimento pessoal. É para isso que servem! Posteriormente, faz-se mais uso de umas do que de outras, mas todas servem para alguma coisa. É preciso é ter a mente aberta para isso.  ;)

Ze de Fare,

Não podia estar mais de acordo contigo. Óptima resposta, na minha humilde opinião ;)

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É o velho problema do ensino português... um curso só é bom quando mistura tudo e trata de tudo, como se faz na escola primária. É preciso é saber de tudo e não ter especialização nenhuma. :P

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É o velho problema do ensino português... um curso só é bom quando mistura tudo e trata de tudo, como se faz na escola primária. É preciso é saber de tudo e não ter especialização nenhuma. :P

Discordo completamente.

É certo que devemos ter todos alguma formação comum de base. Saber fazer contas e escrever e intrepertar correectamente textos na nossa língua são algumas delas. Agora, essas competências pertencem ao início da nossa formação. À medida que vamos evoluindo, temos que nos especializar alguma coisa.

Já lá dizia o outro - o grande especialista é aquele que sabe muito sobre pouca coisa.

Quando eu levo o carro à oficina quero que o mecânico saiba muito sobre carros. Se ele dá erros de português não gosto muito mas não é isso que vai necessariamente fazer dele melhor ou pior mecânico.

Talvez seja melhor mecânico se tiver conhecimentos de línguas ou de artes... Mas o curso não deve incidir sobre isso, até porque esses conhecimentos complementares já dependem sobretudo dos gostos de cada um, acho eu.

Voltando ao tema do tópico. Eu acho que se começam a notar as pressões para aparecer a tal programação de carreiras. Cada vez mais se ouve falar em listas com os cursos mais "empregáveis" ou coisas do género. E esses continuam a ser medicinas e cursos tecnológicos - no primeiro caso porque a oferta é pouca, e no segundo porque é um mercado que ainda não saturou (não há muitas pessoas com mais de 40-50 anos e formação na área).

Tinha uma tia minha que costumava contar como, no tempo do Salazar, se havia professores em excesso, se mandava fechar o magistério até voltar a ser preciso.

Acho dificil voltar-se a esse tempo (até porque não é justo uma pessoa não ter a oportunidade de seguir uma determinada carreira só porque nasceu no ano errado) mas talvez apareça um meio termo...

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É o velho problema do ensino português... um curso só é bom quando mistura tudo e trata de tudo, como se faz na escola primária. É preciso é saber de tudo e não ter especialização nenhuma. :P

Eu estava a ser irónico para mostrar que a formação deve ser especializada tanto quanto possível. A escola primária onde se ensina tudo é que não tem interesse e é assim ainda como muitos olham para a escola talvez porque seja a única forma de manterem o emprego. Um sítio onde se ensina tudo. :P

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Concordo com m.elis, quanto à formação que é dada nos cursos tecnológicos e profissionais. Acentua-se mais a vertente técnica do curso, e porventura não se é tão exigente em disciplinas como Português!

Eu, que vim dum Curso Comercial, em meados dos anos 60, sou testemunha disso mesmo. Priveligiava-se disciplinas como Cálculo Comercial, Contabilidade Geral, Direito Comercial, Técnica de Vendas, Dactilografia. No fim do curso, havia um exame final, que só quem obtivesse aprovação, obtinha o diploma. É evidente que as disciplinas fulcrais eram sobretudo auqelas que referi. Português, Francês, Inglês, História e Geografia, nem eram tocadas nessa aferição final.

Só mais tarde, como trabalhador estudante, cheguei àquilo que queria - aprofundar o que mais gostava, bem como apostar numa formação superior.

Portanto, é como dizem, o ensino liceal da altura, já era uma forma elitista de separar os alunos! É que fazer um curso superior nos anos 60 era um caso sério, em termos logísticos e económicos!

Contudo, mesmo o ensino liceal, bem como os cursos técnicos, só eram ministrados nas sedes de distrito, salvo excepções, de colégios em sedes de concelho.

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Sinto-me à vontade  para falar do Secundário. É  óptima a preparação ao nível técnico, assim como é real a falta dela ao nível da formação geral. Esta apreciação é global, há com certeza quem tenha passado por um curso profissional/tecnológico e tenha saído bem preparado a todos os níveis.

Considero que os alunos com 15/16 anos desses cursos começam a especializar-se numa determinada área demasiado cedo. É somente a minha modesta opinião.

PauloAguia, quando dás o exemplo do mecânico, concordo contigo. No entanto também eles se deparam cada vez com mais desafios. Interpretar, muitas vezes manuais em Inglês, mapas, para não falar do equipamento com que trabalham cada vez mais sofisticado (e ainda bem). Muitas vezes falta-lhes a tal formação geral.

Sei que as empresas preferem pessoas vindas de cursos técnicos a cursos generalistas. E em muitas áreas o mercado ainda não está saturado, mas também se queixam da falta de preparação básica!

Sempre fui apologista que se deve tirar um curso por gosto, mas  pensar no futuro é inevitável!

Já agora e só por curiosidade, não foi só no tempo de Salazar que se fechou o Magistério Primário por existirem professores m excesso. Após o 25 de Abril, os concorrentes às Escolas Superiores de Educação eram tantos (porque não tinham Matemática) que 1 ano ou 2 não abriram o curso  :o. Lembro-me de muita gente se indignar com a falta de liberdade. Seria? Não tenho a certeza.

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Eu estava a ser irónico para mostrar que a formação deve ser especializada tanto quanto possível. A escola primária onde se ensina tudo é que não tem interesse e é assim ainda como muitos olham para a escola talvez porque seja a única forma de manterem o emprego. Um sítio onde se ensina tudo. :P

Eu não concordo. Eu acho que a especialização é muito útil e saudável e não pode ser desprezada, claro, porque permite fazer bem aquilo para que cada um tem mais vocação, mas tem de ser complementada e iniciada com formação genérica de outras áreas.

Ah, caro Zé de Fare, não pode estar a falar a sério  :)  Por esse ponto de vista, começamos a perguntar às crianças assim que entram na escola o que é que elas querem ser quando forem grandes e orientamo-las para essa profissão. Acabamos no fim por ter milhares de astronautas frustrados, porque afinal já não querem ser astronautas, e ignorantes porque como não estudaram mais nada, não sabem nada sobre história, geografia, finanças, literatura, etc. etc. etc.

Eu acho que a formação deve ser tão generalista quanto possível até à entrada para o ensino superior. A partir daí, cada um especializa-se naquilo que lhe dá mais gosto.

Compreendo que quem esteja no ensino preparatório e secundário não tenha a mesma opinião, porque eu já passei por isso e também pensava da mesma maneira. Mas acho que no fim do dia acabou por ser muito importante para mim.

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Deixo aqui uma frase, de António Damásio,que me apareceu à frente sem a procurar:

"(...) o ensino das Artes e das Humanidades é tão necessário quanto o ensino da Matemática e das Ciências,(...) Ciência e Matemática, por si, são insuficientes para formar cidadãos".

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Se recuarmos à Grécia Antiga e ao Império Romano, constataremos que havia um equilíbrio no ensino: a par do estudo da Matemática e Astronomia, estudava-se Retórica e Filosofia! E, se pensarmos bem, todo o nosso saber (se de facto o queremos ter de forma equilibrado), tudo nos reconduz àquela época! É impensável ser-se culto sem ter lido Homero, Virgílio...

Tal como m.elis muito bem afirma, o Português é uma língua transversal a todas as outras matérias! Como interpretar bem, por exemplo um teste ou exame de Matemática, Físico-Quimica ou Biologia/Geologia (área em que os hipotéticos alunos, sejam fortes), se a interpretação das questões esbarra com termos não compreendidos? Conheço casos desses, de insucesso no Secundário, ou pelo menos, de baixa significativa das notas, que os impediu de entrar no curso pretendido!

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Vou dar o meu exemplo...

Quando chegou a altura de ir para o 10º ano escolhi a via tecnico profissional e fiz o 10º 11º e 12º sempre a ter português, Inglês, matemática e filosofia entre outras especificas do meu curso.

Na altura ter no 12º ano 12 disciplinas ninguem achava piada nenhuma, especialmente quando os do ensino normal tinham apenas 3 no 12º ano.

No entanto fiz as 12 disciplinas tive direito a um estagio profissional e esse estagio colocou-me em contacto com a realidade do meu curso.

Não me arrependo da opção que fiz e ainda hoje digo que foi a melhor coisa que podia ter feito!

Passados 3 anos decidi seguir a via universitária á noite ( trabalhava de dia na empresa onde fiz o estagio) para aprofundamento academico.

Não posso concordar que materias como o português, inglês ou matemática não sejam dadas nos cursos profissionais. Elas são a base para compreensão de muitas outras matérias.

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