celsan

Veja quanto baixou o seu ordenado em cinco anos

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O texto é um bocadinho longo, mas para mim mt interessante. Está na "visão" mais recente...

Lembra-se da "geração mil euros"? Há meia dúzia de anos, as notícias sobre estes jovens licenciados, a trabalhar a recibos verdes ou com outros vínculos precários, em troca de mil euros mensais, indignavam muito boa gente. Hoje, já ninguém fala da "geração mil euros". Porque ter trabalho, precário ou não, já é uma sorte - a taxa de desemprego entre os jovens até aos 24 anos, com o ensino superior, é de 42,8 por cento.

Além disso, ganhar mil euros por mês é de uma normalidade absoluta. Segundo um estudo da empresa de consultoria Hay Group, o salário médio pago a recém-licenciados, em 2012, foi de €1 003 (valor bruto, mensal). A engenharia é a área mais bem paga e, mesmo assim, não vai além dos 1 100 euros. O estudo - que envolveu mais de 200 empresas, na sua maioria multinacionais - conclui que o ordenado oferecido aos finalistas do ensino superior caiu 10% em relação a 2011.

Não são apenas os jovens licenciados que se ressentem. O salário médio, no nosso país, está em queda desde 2009, segundo o Banco de Portugal, que mede o valor das transferências bancárias para pagamento de remunerações do trabalho. Em 2012, o salário médio foi de €1 018 (inclui os subsídios de férias e de Natal divididos pelo 12 meses do ano); em 2011, era de €1 066; em 2010 de €1 116; e em 2009 ganhava-se, em média, €1 127.

"Existe uma efetiva perda salarial. As empresas, hoje, pagam menos a quem começa a trabalhar do que pagavam em 2008, um ano em que ainda não se sentia o grande impacto da crise", refere Amândio da Fonseca, presidente da Egor, consultora em recrutamento e seleção de profissionais. "Por um lado, o desemprego é muito elevado e quem está desempregado aceita remunerações mais baixas quando encontra emprego, até por imperativo legal. Por outro lado, para os que mantiveram o emprego desde 2008, houve reduções salariais em algumas empresas, que foram aceites pelos trabalhadores. Além disso, é preciso considerar a inflação e o aumento da carga fiscal", enumera. Da base ao topo  De acordo com João Maia, consultor sénior do grupo Hays, empresa especializada em recrutamento de quadros, existem dois fatores que contribuem para a queda ou oscilação dos níveis salariais. "Um é conjuntural, advém de aspetos económicos bem conhecidos de todos, em que o aumento do desemprego e o consequente aumento da mão de obra disponível permite aos empregadores maior margem para negociar salários, quando estão a selecionar profissionais no desemprego. O outro advém da necessidade, por parte do tecido empresarial, de ajustar os seus custos, sendo a massa salarial uma variável utilizada neste ajustamento. Existirão empresas que optam por admitir candidatos com menor experiência, logo com patamares salariais inferiores."

A baixa salarial atravessa quase todas as profissões e quase todos os cargos. Quem vê o subsídio de desemprego a chegar ao fim do prazo aceita qualquer ordenado. Mesmo nos cargos de topo, a folha de pagamento ressente-se. Os chamados benefícios (automóveis, seguros de saúde, plafonts de telemóvel, planos de pensões) baixaram drasticamente (representavam 13% da remuneração total, em 2011, e passaram para 7%, em 2012, segundo outro estudo do Hay Group).

Se manteve a mesma remuneração bruta desde 2008, saiba que só a inflação foi responsável por uma redução salarial de mais de 7 por cento. Depois, vêm os impostos. Por exemplo, um casal, em que sejam os dois titulares de rendimentos, e com dois filhos, ganhava, por conta de outrem, €2 000 há cinco anos. Após pagar o IRS e a Segurança Social, levava para casa €1 440. Nas mesmas condições e com o mesmo ordenado bruto, fica, hoje em dia, com 1 301 euros - a taxa de retenção na fonte do IRS subiu, neste caso, de 17% para 22,5%. Sem contar com a sobretaxa...

As tabelas salariais que publicamos nestas páginas - com base em estudos da consultora Hays - mostram mais do que a perda por via da inflação e dos impostos. É que a mesma profissão sofreu uma baixa salarial para pessoas com dois a cinco anos de experiência, ou seja, no início de carreira. É o caso do técnico de turismo que, em 2008, recebia, em média, €1 757 brutos e, agora, se fica por 1 200 euros. Ou do diretor financeiro de uma empresa, cargo que sofreu uma perda de mais de €500 mensais (de €3 571 para 3 000 euros).

Mas há funções em que hoje se pode ganhar mais, "por via da balança oferta/procura", explica João Maia. "Se existem poucos candidatos disponíveis para uma determinada posição, isso faz com que o seu 'preço de mercado' seja mais elevado.  Por exemplo, no setor tecnológico, há diversas funções em que a falta de mão de obra qualificada para suprir as necessidades das empresas determina uma inflação salarial nos perfis mais solicitados, em contraciclo com a grande maioria dos outros mercados." Nem os presidentes escapam  Exceções à parte, a regra é a de que a crise dos ordenados tem tocado a todos. "Apenas a título exemplificativo: em 2008 ou 2009, recrutava-se um CEO [presidente-executivo] por 250 mil a 300 mil euros anuais, entre remuneração fixa e variável, como os prémios de gestão. Hoje em dia, os valores vacilam entre 180 mil e 200 mil euros. Sim, eles não ficaram pobres. Mas há uma grande diferença", nota Fernando Neves de Almeida, diretor da Boyden Portugal, uma empresa de recrutamento de quadros de topo. Também aqui, o desemprego é um fator decisivo; quem passa por ele aceita um trabalho por menos dinheiro do que aquele que ganhava antes. "Isso vê-se nas empresas públicas, por exemplo...", conclui Neves de Almeida.

Na base, vai aumentando a "imensa minoria" que ganha o salário mínimo (são já mais de 11% da população ativa, ou seja, mais de 620 mil pessoas). Em 2008, esta remuneração era de €426, mas havia uma luz ao fundo do túnel: um acordo assinado pelos parceiros sociais, em 2006, estabelecia a meta de se chegar aos €500 em 2011. Estamos em 2013 e o salário mínimo não passou dos 485 euros. Balanço: nos últimos cinco anos, subiu 13,85% em termos nominais mas, ajustando a inflação, cresceu apenas 6,6 por cento. Os €485 de que falamos são brutos e, embora não paguem IRS, pagam a fatia da Segurança Social. Assim, no final, o salário mínimo líquido é de 431,65 euros.A moda do 'outsourcing' Uma das tendências verificadas neste Portugal em crise é, pois, a do aumento do número de pessoas a receber o salário mínimo. A outra - que não tem necessariamente relação com a situação financeira e económica do País - é a do outsourcing. O caso dos bancários é exemplar. "Há já alguns anos que as admissões para bancários - naquela função tradicional 'atrás do balcão' - estão praticamente congeladas. Quase não há novas contratações. Isto porque as instituições bancárias estão cada vez mais a recorrer ao outsourcing", explica José Cabrita, do Sindicato dos Trabalhadores da Atividade Financeira.

O outsourcing não é mais do que contratar uma empresa externa para que realize certas tarefas que, antes, eram efetuadas dentro dos bancos. Os salários também se ressentem. "Segundo a nossa tabela do contrato coletivo, um bancário em início de carreira ganhará 848 euros. Pela nossa experiência, nessas empresas de outsourcing, entre as que têm salários estabelecidos, o ordenado para as mesmas funções andará entre €550 e os €700", observa José Cabrita.

No entanto, nem toda a gente ganha um salário em outsourcing. É que estas empresas também recorrem aos chamados "tarefeiros", ou seja, pessoas que recebem por cada tarefa que executam. Assim, fazer um requerimento dará a ganhar uns cêntimos; completar um processo de crédito à habitação dá direito a uns euros e por aí adiante. Segundo o dirigente sindical, é preciso suar e trabalhar muitas horas para levar para casa mil euros por mês. No Porto ganha-se menos  Não é de hoje o aviso: o conceito de emprego para a vida agregado a uma série de direitos, acabou. Os portugueses já deram conta disso mesmo. Tudo é incerteza, nesta segunda década do século XXI. A insegurança atingiu mesmo a tradicional "fortaleza" do emprego nacional: o Estado. Os funcionários públicos têm sofrido fortes quebras salariais desde o início da crise (em 2009, ainda foram aumentados 2,9%, mas essa benesse tem-lhes saído cara).

Os trabalhadores do Estado estão entre os que mais contribuem para a queda do salário médio nacional, com o argumento de que ganham mais do que os trabalhadores do privado. O que é um facto. Mas também é um facto que são genericamente mais qualificados.

A única boa notícia que se retira da baixa generalizada dos ordenados é a de que esta tem servido para atenuar as assimetrias regionais. No Grande Porto, o salário médio tem sido sempre inferior ao da Grande Lisboa, mas as diferenças começam a ser menos acentuadas. Não porque tenha havido alguma melhoria salarial no Porto, mas porque, em Lisboa, houve mais cortes. Segundo um estudo do Hay Group, em 2012, na região do Porto pagou-se 4% abaixo da média nacional, enquanto os salários em Lisboa ficaram 4% acima. É uma diferença de oito pontos percentuais quando, há dois anos, essa diferença tinha sido de 13 pontos percentuais.

Para os próximos tempos, uma preocupação partilhada por Fernando Neves de Almeida, da Boyden, e por João Maia, da Hays: a nossa mão de obra altamente qualificada está a deixar o País. "Quando as oportunidades voltarem finalmente a surgir em Portugal, não haverá profissionais qualificados em número suficiente para suprir as vagas", avisa Maia. Porque "mal a economia comece a crescer, os salários voltarão a subir", acredita Neves de Almeida. Haja esperança.FUNÇÃO PÚBLICA: Ordenados médios 44% mais elevados  Nos últimos anos, houve uma quebra muito acentuada das remunerações, no Estado. Em várias categorias profissionais, entre 2008 e 2013, as reduções ultrapassaram os 20% (ver quadros). Em 2011, os descontos para a Caixa Geral de Aposentações aumentaram 1% e as contribuições para a ADSE (o sistema de saúde dos trabalhadores do Estado) passaram a incidir, também, sobre os subsídios de férias e de Natal. Neste ano, houve, ainda, um corte dos salários entre 3,5% e 10%, de acordo com o nível remuneratório. Em 2012, a situação não foi melhor: suspenderam-se os subsídios de férias e de Natal de quem ganhava mais de 1 100 euros e quem recebia ordenados entre os 600 e os 1 100 euros sofreu cortes parciais. Em 2013, o Orçamento do Estado prevê a devolução do subsídio de Natal, que, entretanto, será "comido" por via fiscal, por causa do aumento do IRS (que afeta todos os trabalhadores).

A redução das remunerações fez as suas vítimas. Em 2012, o número de agentes policiais que recorreram ao apoio dos serviços sociais da corporação foi de 299, tendo duplicado em relação ao ano anterior. Segundo Paulo Rodrigues, presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia, os utentes daquele serviço são indivíduos que, devido à conjuntura ou por razões familiares (desemprego do cônjuge, por exemplo), deixaram de ter capacidade para cumprir os compromissos financeiros assumidos.

Sérgio Carvalho, do Sindicato Nacional de Bombeiros Profissionais assegura que "todos os agrupamentos estão com falta de efetivos, sente-se uma grande falta de graduados. Muitos abandonam a profissão, inclusive para emigrar". E a confusão aumentou.

"Nas Forças Armadas, há três realidades diferentes", diz António Lima Coelho, presidente da Associação Nacional de Sargentos. Segundo este dirigente associativo, o Exército foi o único dos três ramos a processar os recibos de vencimento relativos a janeiro com tudo integrado (duodécimos, sobretaxa e novas tabelas do IRS), a Marinha integrou apenas os duodécimos e a sobretaxa, não aplicando as novas tabelas de IRS, e, na Força Aérea, o recibo de janeiro foi exatamente igual ao de dezembro... Feminina e letrada  Segundo os dados mais recentes, relativos ao terceiro trimestre de 2012, havia 581 mil trabalhadores na administração pública, menos 31 mil do que nove meses antes. A tendência para a diminuição dos trabalhadores do Estado deve acentuar-se, nos próximos meses, pois, em dezembro, aguardavam decisão nos serviços da Caixa Geral de Aposentações (CGA) mais de 30 mil pedidos de reforma, dos quais dois terços eram de reformas antecipadas. A corrida às pensões desencadeou-se nos últimos meses de 2012, quando foi anunciada a convergência dos setores público e privado no que respeita à idade de reforma, fixada nos 65 anos.

No Estado, a maior fatia de trabalhadores está afeta aos serviços da administração central, que ocupava 432 mil pessoas, em outubro de 2012. O Ministério da Educação e da Ciência, com 236 mil trabalhadores, era a área da administração central na qual mais pessoas trabalhavam.  Os dados da Direção-Geral da Administração e do Emprego Público mostram ainda que a remuneração média mensal nas administrações públicas (central, regional e local) se cifrava em 1 397 euros, acima, pois, dos 972 euros da média do País (mais 44 por cento). Contudo, as qualificações dos trabalhadores do Estado, incluindo juízes, diplomatas, professores e médicos, são superiores à da generalidade da população. E os médicos foram os únicos que conseguiram subidas de salários, graças a negociações com o Ministério da Saúde. O vencimento mínimo, neste caso, passará de 1 800 para 2 770 euros, porque o horário de trabalho aumentou de 35 para 40 horas por semana. No entanto, muitos passarão a levar, no final do mês, menos dinheiro para casa, devido a não fazerem horas extraordinárias: agora, os médicos dos hospitais têm de estar 18 horas nas urgências, enquanto, os dos centros de saúde se responsabilizam por mais 400 pacientes (1 900 em vez de mil e quinhentos).

Entre os trabalhadores da administração central, os que estavam afetos ao Ministério dos Negócios Estrangeiros eram os mais bem pagos, com um salário médio de 2 060 euros. No extremo oposto, encontravam-se os que trabalhavam no Ministério da Defesa Nacional, que tinham uma remuneração média de 1 094 euros. Os ordenados dos trabalhadores do Estado representaram 11,3% do Produto Interno Bruto, um valor acima dos 10,8% que se registam na União Europeia.

A estrutura das remunerações, no Estado, também varia de acordo com as funções. A remuneração-base do pessoal docente, por exemplo, representava 95% do ganho total. Mas, no caso dos diplomatas, os salários, que em julho passado atingiam um valor médio de 2 320 euros, representavam apenas 26% do ganho total (cerca de 8 mil euros).

A maioria dos empregados do Estado são mulheres. No início de 2012, os dados mostravam que 57 em cada 100 trabalhadores eram do género feminino. Por outro lado, quase 57% das trabalhadores do Estado possuíam, pelo menos, uma licenciatura, enquanto apenas 35% dos homens tinham este nível de qualificação. Quanto à idade média, esta situava-se nos 45 anos, sem contar com as Forças Armadas e de segurança, e nos 44 anos, considerando estes grupos profissionais.

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Mesmo assim parece-me elevado esse valor dos 1000€, até acho o que eu ouvia, e sei de muitos casos desses, de pessoal licenciado a trabalhar nos call centers a 500€!! não era bem a 1000€  :)

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Não li todo o texto, mas tenho este grafico do meu rendimento anual desde 1993, sao quase 20 anos onde profissionalmente tenho "subido" mas o mesmo nao se reflecte no levo para casa no final do ano... menos prémios, mais impostos. Estou em 2012 ao nível de 2001  :( 10 anos para... ?

http://www.flickr.com/photos/9655996@N04/8447771549/

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