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carlosramos

Economia á beira do abismo

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O Governo pode contornar os bancos, dando o dinheiro directamente às empresas. Se não resultar, Sócrates pode avançar mesmo para a nacionalização da banca portuguesa, seguindo o exemplo em ponderação noutras capitais europeias.

Bancos já absorveram 70 % dos fundos para as PME mas empresas ficaram sem crédito

Sócrates pondera usar a "bomba atómica"

O Governo pode contornar os bancos, dando o dinheiro directamente às empresas. Se não resultar, Sócrates pode avançar mesmo para a nacionalização da banca portuguesa, seguindo o exemplo em ponderação noutras capitais europeias. Setenta por cento dos fundos atribuídos pelo governo para as PME (mil e quatrocentos milhões de euros) ficaram nos bancos e não chegaram, até agora, às empresas.

Mais de 70 por cento dos recursos disponibilizados pelo Governo para as PME já foram absorvidos pelos bancos, que reestruturaram o crédito sem garantias das empresas em crédito garantido pelo Estado, e aproveitam a oportunidade para aumentarem o spread e ainda imporem novas condições de montagens de financiamento em alguns caos superiores a 2%. Mas é um facto que o dinheiro não chega às empresas, estando apenas a servir para melhorar as contas dos bancos e sobretudo para passar o risco das empresas para o risco Estado. Os bancos recusam crédito novo liminarmente, estando neste momento a asfixiar as PME, apesar das facilidades concedidas pelo Estado.

Ao que o SEMANÁRIO apurou, muitas das instituições estão já a recorrer ao aval do Estado, para se financiarem junto do BCE, mas os maiores bancos, como o BCP, tem evitado tal recurso.

Esta situação está a preocupar o primeiro-ministro, que já pondera usar a bomba atómica, ou seja, entregar directamente o dinheiro às empresas, por exemplo, através do AICEP ou do IAPMEI, ou ainda negociando com as associações empresariais e contornando os bancos. Basicamente o sector público, perante a incapacidade da banca, criava um esquema paralelo para evitar a catástrofe financeira, com a recessão mais grave desde o início dos anos trinta, quando Salazar tomou conta do País.

A outra alternativa é avançar já para a nacionalização dos bancos, considerando que eles não cumprem a missão pública de levar os recursos à economia e se transformaram na maior empecilho ao crescimento económico. O Governo já dispõe de instrumentos para essa intervenção e o facto de estudos independentes apontarem para o agravamento das condições de exploração dos bancos é um excelente pretexto para o Estado entrar pelos bancos adentro.

Sócrates tem estado em contacto com a CGD, que se queixa também de estar com pouco "funding" e a necessitar de um aumento de capital urgente de mais de mil milhões de euros para acomodar a nacionalização do BPN.

Banca poderá necessitar de reforçar capital em mais de 2,5 mil milhões de euros

Por outro lado, a necessidade de cumprimento dos novos requisitos de capital por parte dos bancos portugueses, que estipulam um rácio Tier 1 de 8%, irá obrigar a maioria destas instituições a efectuar reforços de capital, que poderão ascender a 2,5 mil milhões de euros e esta pode ser a oportunidade para agir.

Um estudo efectuado recentemente pela consultora A.T. Kearney refere que o crédito malparado deverá atingir os 8 mil milhões de euros no final do próximo ano, o que representa cerca de 3% da carteira de crédito e mais do dobro do valor verificado no final de 2007.

A actual crise financeira internacional, as ameaças de recessão e as medidas regulatórias recentemente anunciadas deverão ter "um efeito combinado severo" sobre os bancos nacionais, que poderão resultar na "queda abrupta e insustentável dos níveis de retorno económico" e conduzir, num prazo relativamente curto, a operações com um impacto significativo no sector.

A banca enfrenta um forte risco de redução da rentabilidade dos seus capitais (ROE), dos actuais níveis de 15% para níveis próximos de 6 a 7% até ao final do próximo ano.

"O arrefecimento súbito do produto bancário, o crescimento dos custos de estrutura, o aumento exponencial do crédito malparado e os aumentos de capital necessários para atingir os novos rácios de solvabilidade, exigidos pelo Banco de Portugal, implicam uma queda da rentabilidade dos capitais próprios da banca nacional dos níveis tradicionalmente superiores a 15% para valores próximos dos 6-7% em 2009", conclui o mesmo estudo.

O rácio entre os empréstimos concedidos e os depósitos efectuados pelos clientes dos bancos mais do que duplicou nos últimos dezassete anos, passando de 75% em 1990 para os 152% em 2007, conforme o SEMANÁRIO divulgou a semana passada. Esta subida deveu-se essencialmente ao crédito imobiliário e à construção, cujo seu contributo para o montante total de crédito concedido aumentou de 38% em Dezembro de 1990 para 68% em Agosto de 2008. No entanto, esta tendência deverá ser contrariada no futuro, devido ao elevado endividamento das famílias e das empresas portuguesas.

O aumento de crédito malparado até ao final de 2009 tem já impacto na rentabilidade, dado o forte peso da imparidade no produto bancário e perante as dificuldades para conseguir sustentar os níveis históricos de provisões.

As receitas dos bancos têm vindo a diminuir muito rapidamente, tendo a margem financeira atingido o nível mais baixo dos últimos dez anos, devido sobretudo à sua exposição aos mercados de capitais, nomeadamente através de participações financeiras, investimentos dos fundos de pensões e da carteira de títulos destas instituições.

Uma urgência de semanas

O Governo começa já a ter consciência que o colapso da economia pode estar por semanas e que, se não chegar dinheiro à tesouraria das empresas antes da segunda semana de Dezembro, estará comprometido o Natal, que representa para milhares de empresas mais de 40% da sua facturação. Por outro lado, o facto dos bancos não financiarem as exportações, nem estarem a renovar seguro de crédito para exportadores e importadores, está a estrangular a economia. A nacionalização da COSEC está em cima da mesa também.

Para o Governo o mais grave pode mesmo ser a onda de crise social sem precedentes, que poderá provocar a maior viragem política e comprometer mesmo o regime republicano.

Indicadores mostram prolongamento da desaceleração económica

Ainda por cima os indicadores económicos relativos ao mês de Outubro de 2008 prolongaram o movimento descendente dos meses anteriores, em sintonia com o comportamento da Zona Euro, conforme informava esta semana o Instituto Nacional de Estatística (INE). Na sua síntese económica de conjuntura, o INE avançava que a formação bruta de capital fixo, ou seja, o investimento acentuou a sua variação negativa entre Julho e Setembro, reflectindo as evoluções, também negativas, das componentes de material de transporte e de construção.

No mesmo documento, o INE nota que o indicador de clima económico diminuiu 0,3% em Outubro, contra a subida de 0,1% registada em Setembro.

"O indicador de clima económico, já disponível para Outubro, e o indicador de actividade económica, disponível para Setembro, prolongaram os acentuados movimentos descendentes dos meses anteriores."

Em relação à procura interna, o INE explicava que o consumo privado acelerou no terceiro trimestre, devido à recuperação observada, quer no consumo corrente, quer no duradouro, mas nota, contudo, que esta evolução estará em parte relacionada com o "adiamento de compras para o terceiro trimestre em consequência das alterações no IVA e com o efeito de base provocado pela alteração do ISV no período homólogo de 2007."

O INE recordou ainda que a taxa de desemprego se situou nos 7,7% entre Julho e Setembro, menos 0,2 pontos percentuais do que no mesmo período do ano passado, e que, por sua vez, a inflação homóloga foi de 2,3% no período em análise, o que representa uma queda de 0,8 pontos percentuais em relação ao mês anterior.

Maior transparência

BdP estabelece regras mais exigentes para divulgação de informação pelos bancos

O Banco de Portugal (BdP) colocou esta semana em consulta pública um projecto de diploma que estabelece um conjunto de regras mais rigorosas para serem cumpridas pelos bancos em relação às informações prestadas aos clientes sobre as contas à ordem e os depósitos bancários, sejam estes a prazo, com pré-aviso ou de poupança.

De acordo com um comunicado divulgado pelo Banco de Portugal, o novo conjunto de regras incide em três momentos: antes, aquando e após a abertura de uma conta ou a constituição de um depósito.

Antes da abertura de uma conta ou constituição de um depósito, a instituição de crédito terá de entregar ao cliente uma ficha de informação normalizada, isto é, comum a todos os bancos, com a descrição das principais características da conta ou depósito.

No que respeita aos depósitos a prazo, os bancos terão de referir qual a taxa de juro a ser praticada, a possibilidade de movimentação antecipada de fundos aplicados no depósito e a eventual penalização sobre os juros, a existência ou não de capitalização de juros, as condições de renovação do depósito, entre outras informações.

Em relação à abertura de uma conta à ordem, sobressai, nomeadamente, a exigência de uma clara indicação das comissões aplicáveis, descobertos autorizados e respectivas condições, entre outras.

O Banco de Portugal nota ainda que a existência de uma ficha de informação comum a todos os bancos para depósitos vai permitir ao cliente comparar alternativas apresentadas por outras instituições de crédito.

O projecto de diploma estabelece também que a formalização da abertura de uma conta ou da constituição de um depósito, em documento contratual, deve conter os elementos informativos constantes da ficha de informação normalizada. Para além disso, as instituições de crédito devem igualmente disponibilizar aos clientes uma cópia do contrato de abertura de conta, ou de constituição de depósito, formalmente confirmado por ambas as partes, e fazer prova disso perante o Banco de Portugal, quando assim solicitado.

O projecto de diploma define também a informação mínima que deve constar dos extractos bancários e a periodicidade mínima para a sua disponibilização aos clientes. Essa informação deve incluir, nomeadamente, os movimentos relativos a juros, comissões e outros encargos.

O Banco de Portugal nota que este conjunto de princípios e regras vai ser publicado, após realizada a consulta pública e depois da sua decisão final, sob a forma de Aviso do Banco, em Diário da República.

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Um país que viveu acima das suas possibilidades e sendo pobre fez vida de rico, mais dia menos dia tinha de "estourar" por algum lado. Estou-me a lembrar de jipes, vivendas, férias, etc... Mas o que mais me custa no meio deste caos foi a atitude daqueles pais vaidosos que compraram tudo o que lhes apeteceu e hipotecaram o futuros dos seus filhos e nalguns casos até dos netos. Gente sem cabeça que andou - e anda - a gozar à grande e à portuguesa moderna (os mais velhos não eram assim desgovernados) à custa dos empréstimos e hipotecas que os seus descendentes um dia terão de pagar...

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Uma nota apenas ao primeiro texto - segundo o que tem passado na comunicação social, mesmo os grandes bancos já se manifestaram candidatos a recorrer ao aval do Estado.

Ainda não tinha pensado muito sobre a questão dos aumentos de capital, mas não deixa de ter um efeito curioso - alguém vai ter que investir dinheiro nos bancos para os fazer atingir os novos rácios. Será que essa injecção de dinheiro forçada os vai ajudar a sair da crise?

E será que há privados suficientemente interessados em investir num banco nesta altura? E como será que os actuais accionistas vão reagir a aumentos de capital que irão, em princípio, desvalorizar as acções que já possuem?

Na prática, de alguma forma, transfere-se parte do peso da actual situação financeira para os accionistas... a menos que não haja interessados e acabe por ser o Estado a comprar as acções, injectando assim capital nos bancos.

Quanto à parte do estado saltar por cima dos bancos e financiar directamente as empresas... bem, é possível. Mas as acusações de falta de transparência que se seguiriam fazem-me pensar que não seria necessariamente uma solução muito duradoura... mas a ver vamos, o Natal está já à porta ;)

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Este é um assunto que está tão efervescente que até doí na alma.

Mas o texto está a dar uma imagem limitada do estado da economia, pois o mal é geral e está instalado por toda esta nossa Europa.

Um facto que me deixou deveras preocupado, foi o corte em 0.75 na taxa de referencia da zona Euro.

Penso que nunca se viu tal coisa.

Se olhar-mos para esse corte, vemos notoriamente que o BCE já revela preocupações que vão muito alem da sua própria essência.

O BCE tem como principal função regular a evolução dos preços na zona Euro (controlar a inflação), mas com o corte de hoje, notou-se claramente que já não é esse pensamento que os move, mas sim uma tentativa desesperada de estimular a Economia Europeia.

Hoje, mais que nunca senti que o BCE está aterrorizado. Mas espero estar enganado.

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O BCE tem como principal função regular a evolução dos preços na zona Euro (controlar a inflação), mas com o corte de hoje, notou-se claramente que já não é esse pensamento que os move, mas sim uma tentativa desesperada de estimular a Economia Europeia.

Estando de fora é sempre dificil de dizer, mas o corte de hoje em .75 não viola a preocupação central do BCE com a estabilidade de preços. Isto porque, com o abrandamento economico que se verifica e espera, a inflacção irá descer sem necessidade de taxas de juro altas. Logo, o BCE têm margem para baixar as taxas sem fazer perigar a estabilidade de preços. por isso eles podem dizer que mantém o controlo dos preços como a sua principal preocupação.

Agora será que a motivação principal de BCE para cortar as taxas de juro, neste momento, foi a pressão feita pelos governos europeus? é bem provável. no fundo quem está aterrorizado são os governos nacionais e não o BCE. os governos é que vão a votos com cenários de desemprego elevado no horizonte. o BCE não depende tanto da vontade popular. e portugal é um bom exemplo de como o governo está preocupado já q o PS está a ver a vida a andar para trás a cada dia que passa e a economia europeia (e tuga por extensão) se afunda.

Outra questão que se coloca e por ventura mais importante é: será que o corte das taxas de juro será suficiente para reanimar a economia?

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Outra questão que se coloca e por ventura mais importante é: será que o corte das taxas de juro será suficiente para reanimar a economia?

Nada por si só é suficiente para reanimar a economia. Agora, as várias medidas vão-se complementando umas às outras. E, seja como for, não dá para ficar de braços cruzados à espera que tudo se resolva por artes mágicas...

Pelo menos vai ajudar as pessoas a não se enterrarem tão depressa em dívidas ou a terem acesso mais fácil ao dinheiro. E, no fundo, a base da economia somos todos nós...

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