viriato

Eventual Saida de Portugal do Euro e protecção das nossas poupanças

26 publicações neste tópico

Boas noites caros.

Não quero com este tópico discutir se Portugal vai ou não sair do Euro e nem gostaria que a discussão tomasse esse rumo, porém, quer por imposição externa, quer por iniciativa própria, quer por efeito de contagio, quer por um sem numero de factores, existe uma hipotese real de este facto acontecer, independentemente das nossas convicções.

Se realmente acontecer, podemos no entanto ter a certeza de algumas coisas, as nossas poupanças que com grande esforço construimos ao longo de anos vao diminuir consideralvemente, o custo de vida irá concerteza aumentar, a volatilidade nos mercaods será enorme e existe ainda um sem numero de consequencias que ninguem com toda a certeza conseguirá antecipar, ou seja, possibilidade de inflacção, deflacção, hiperinflacção, etc.

A nossa obrigação é protegermo-nos antecipadamente desta eventualidade, porque quando ela acontecer, será tarde demais para reagir.

O desafio principal deste tópico é discutir opinioes construtivas, sobre quais as classes de activos(e porquê) em que deveremos alocar as nossas poupanças de forma a que possamos estar tranquilos e dormir descansados.

Brevemente irei ajustar o meu portfolio e ainda numa perspectiva macro, estou a pensar em fazer o seguinte:

Bonds Americanas - 10% -> Economia americana está no minimo igual à europeia, mas por enquanto não há risco sistemico

Bonds Alemãs -15% ->Se algum pais sair do euro, tal como os activos denominados em dolar, os investidores poderão encarar os activos alemães como um "safe heaven"

TIPS -10% ->Bonds americanas indexadas à inflacção

Ouro - 10% -> Protecção no caso de cenário de inflacção

Commoditties - 10% -> Terminaram 2011 em queda mas num cenário de inflacção, certamente teremos subida

Os restantes 45% em acções cuja diversificação ainda estou a avaliar, creio que será um ano negro para esta classe.

Venham dai as opiniões.

Já há quem se ande a preparar....http://www.telegraph.co.uk/finance/financialcrisis/8976204/Treasury-plans-for-euro-failure.html

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Já não temos n tópicos sobre isto espalhados pelo fórum? ???

Enfim, desde que este se mantenha dentro do tema pretendido tudo bem.

Sei que não falo só por mim quando digo que muita gente tem um perfil bastante conservador e que não se costuma meter em fundos de investimento, correctoras para negociar obrigações estrangeiras, etc.

Um dos focos da discussão por aqui tem sido constituir depósitos a prazo mais seguros: em moeda estrangeira, em sucursais de bancos estrangeiros, ou, para quem tiver essa hipóteses, abrir directamente conta noutro país da zona euro.

Numa perspectiva de preservação do capital, ouro e commodities têm uma volatilidade demasiado grande para muita gente se sentir confortável com eles. São interessantes ao construir portfólios como o recomendado pelo _Salvador noutro tópico, adequados para quem quer investir, mas não seriam os mais adequados às pessoas que preferem antes proteger apenas o seu capital e ficar por aplicações de capital garantido.

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Obrigado ruicarlov pelo seu contributo.

Descobri este forum à pouco tempo, porém não encontrei outro topico que procurasse discutir este tema da forma como o exponho.

Contudo a intenção seria ir mais além dos depositos em moeda estrangeira, etc

São interessantes ao construir portfólios como o recomendado pelo _Salvador noutro tópico, adequados para quem quer investir, mas não seriam os mais adequados às pessoas que preferem antes proteger apenas o seu capital e ficar por aplicações de capital garantido.

Não concordo quando diz que não são os mais adequados às pessoas que preferem proteger o seu capital. Quem não se quer expor a volatilidade e tem um perfil mais conservador, pode simplesmente alocar uma maior fatia do seu capital em Bonds ou T-Bills. Julgo é que a esmagadora maioria das pessoas não conhece os instrumentos nem está suficientemente informada para tomar opções dessa natureza. A diversificação é uma forma simples de redução de risco. Quem tem o dinheiro no banco aplicado num deposito a prazo pode efectivamente ter o capital garantido, mas tem o capital totalmente alocado a um só activo, agora imagine que esse capital de hoje para amanha vale menos 30%-40%...

O Salvador deu um bom exemplo dos beneficios da diversificação:

Isto é um portfolio super conservador. O facto de ter acções, não implica que seja arriscado. Na verdade até fuunciona a favor derivado do fenómeno das correlações. Um portfólio com acções é sempre menos arriscado que um portfolio 100% de obrigações.

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Boa noite Viriato,

Eu pertenço à "esmagadora maioria das pessoas não conhece os instrumentos nem está suficientemente informada para tomar opções dessa natureza". Será que pode dar simples exemplos de aplicações e em que bancos para o portfolio que mencionou:

Bonds Americanas

Bonds Alemãs

TIPS

Ouro

Commoditties

Obrigado

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Obrigado ruicarlov pelo seu contributo.

Descobri este forum à pouco tempo, porém não encontrei outro topico que procurasse discutir este tema da forma como o exponho.

Contudo a intenção seria ir mais além dos depositos em moeda estrangeira, etc

Não concordo quando diz que não são os mais adequados às pessoas que preferem proteger o seu capital. Quem não se quer expor a volatilidade e tem um perfil mais conservador, pode simplesmente alocar uma maior fatia do seu capital em Bonds ou T-Bills. Julgo é que a esmagadora maioria das pessoas não conhece os instrumentos nem está suficientemente informada para tomar opções dessa natureza. A diversificação é uma forma simples de redução de risco. Quem tem o dinheiro no banco aplicado num deposito a prazo pode efectivamente ter o capital garantido, mas tem o capital totalmente alocado a um só activo, agora imagine que esse capital de hoje para amanha vale menos 30%-40%...

O Salvador deu um bom exemplo dos beneficios da diversificação:

Para além do mais que perdem capital em termos de paridade de compra.

Tenho discussões acesas com a minha avózinha que diz "no meu tempo é que se gnahava bom diheiro... os certificados de aforro que pagavam 25% de juros".

Continua a achar que os certificados de aforro foram um negócio do outro mundo, quando na verdade perdeu dinheiro a valer... com inflações de 30-35% ao ano, andava a perder 10% ao ano do seu poder de compra.

Quem tivesse o seu capital alocado em diversos classes de activos não só tinha acompanhado a inflação como teria visto um retorno REAL na casa dos 15-20% (ahh velhos idos anos 80-90)

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Eu pertenço à "esmagadora maioria das pessoas não conhece os instrumentos nem está suficientemente informada para tomar opções dessa natureza". Será que pode dar simples exemplos de aplicações e em que bancos para o portfolio que mencionou:

Boa noite Gonçalo,

com esse comentário que fiz, espero não ter ferido susceptibilidades a ninguém, se assim foi, a intenção não era essa mas sim suscitar algum interesse nas pessoas para estas temáticas. Eu prório referi no topico do Salvador que comecei a intereressar-me mais por este tipo de estrategias passivas à cerca de um ano, porém já me interessava pelos mercados à anos atrás. Não sou portanto nenhum profissional nem tenho grandes histórias para contar. Tenho apenas algum trabalho de casa feito por via de muito que li e investiguei por iniciativa própria. Posso indicar-lhe alguns ETFs que ando a estudar, mas deves fazer o teu próprio trabalho de casa a esse nivel, assim como em relação aos bancos por onde irás transaccionar(O Best e o BIG são os que tem as comissoes mais baixas).

Tendo a inclinar-me para ETFs da Vanguard sempre que possivel, dado que têm as mais baixas comissões e sendo uma especie de associação mutualista não tem que se meter em negócios obscuros com grandes alavancagens para engordar accionistas, dado que os donos, são os próprios clientes...Eventualmente será mais segura devido a isso, mas é como tudo...

Sendo uma estrategia passiva, a melhor opção é escolher ETF que seguem indices.

Posto isto:

Bonds Americanas-Historicamente as de medio e longo prazo apresentam melhor retorno

TLT   iShares Barclays 20 Year Treasury Bond Fund ->Bonds longo prazo

BND Vanguard Total Bond Market ETF -> Fundo diversificado de bonds

VCIT Vanguard Intermediate-Term Corporate Bond Index Fund

IEI iShares Barclays 3-7 Year Treasury Bond Fund

Bonds Alemãs

BUNL PowerShares DB German Bund Futures Exchange Traded Notes

BUND Germany Bond Index Fund

TIPS

TIP iShares Barclays Treasury Inflation Protected Securities Fund

Ouro

GLD SPDR Gold Trust

IAU iShares COMEX Gold Trust

SGOL ETFS Gold Trust

Commoditties

DBC PowerShares DB Commodity Index Tracking Fund

Repito, quem quer aprender, tem de fazer algum trabalho de casa, esta informação serve a titulo de exemplo apenas e não como um guia de investimento.

Recomendo que leia o topico que o Salvador simpaticamente criou, sobretudo as primeiras paginas.

Recomendo que leia exaustivamente a informação contida em http://www.assetplay.net/ e teste varias alocações no Asset Alocation Backtest desse mesmo site para ter uma ideia.

Pode consultar facilmente os muitos ETFs existentes neste site:http://etfdb.com/

Recomendo a leitura do livro The Investors Manifesto de William Bernstein que é de facil leitura e ideal para começar e encontra-se facilmente, se tiver dificuldade em encontrar, mande pm. O mesmo se aplica a The Bogleheads guide for investing.

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Para além do mais que perdem capital em termos de paridade de compra.

Tenho discussões acesas com a minha avózinha que diz "no meu tempo é que se gnahava bom diheiro... os certificados de aforro que pagavam 25% de juros".

Continua a achar que os certificados de aforro foram um negócio do outro mundo, quando na verdade perdeu dinheiro a valer... com inflações de 30-35% ao ano, andava a perder 10% ao ano do seu poder de compra.

É o Salvador com a sua avó e sou eu com o meu pai  :-X Pra ele depositos a prazo a 4% ou 5% é que é um bom investimento, se bem que ele já está reformado e tem pouca paciencia para estas coisas, dou-lhe o desconto...

Quem tivesse o seu capital alocado em diversos classes de activos não só tinha acompanhado a inflação como teria visto um retorno REAL na casa dos 15-20% (ahh velhos idos anos 80-90)

Exacto, na altura era miudo e não ligava a este tipo de coisas, mas conheço quem aproveitou bem esses anos gloriosos para quem investiu.

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Não concordo quando diz que não são os mais adequados às pessoas que preferem proteger o seu capital. Quem não se quer expor a volatilidade e tem um perfil mais conservador, pode simplesmente alocar uma maior fatia do seu capital em Bonds ou T-Bills. Julgo é que a esmagadora maioria das pessoas não conhece os instrumentos nem está suficientemente informada para tomar opções dessa natureza. A diversificação é uma forma simples de redução de risco. Quem tem o dinheiro no banco aplicado num deposito a prazo pode efectivamente ter o capital garantido, mas tem o capital totalmente alocado a um só activo, agora imagine que esse capital de hoje para amanha vale menos 30%-40%...

Já não sei bem em que fórum li qualquer coisa parecida com: "O nível de risco que alguém deve aceitar é aquele que lhe permite dormir bem à noite sem pensar nele"

Todos sabemos que fundos de investimento têm volatilidade, e que mesmo fundos de baixo risco como bonds podem ter alturas de drawdowns.

O ponto que pretendo frisar é que há uma boa dose de pessoas que não se sente confortável com esse tipo de flutuações. Muitas das pessoas que procuram apenas DPs, para além de não estarem informadas sobre outro tipo de produtos, não querem simplesmente algo que as preocupe por estar com valor abaixo daquilo que investiu, embora analistas e peritos ou rentabilidades históricas digam que tem um grande potencial de subir nos próximos tempos.

É isto que eu quero dizer com perfil mais conservador.

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É o Salvador com a sua avó e sou eu com o meu pai  :-X Pra ele depositos a prazo a 4% ou 5% é que é um bom investimento, se bem que ele já está reformado e tem pouca paciencia para estas coisas, dou-lhe o desconto...

E não terão eles razão? O tempo o dirá!!!

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quim razão onde?

Se é um facto que já perderam?

Alias, quem investiu em certificados de Aforro em 1980's e os manteve perdeu MAIS de metade do seu poder decompra.

O retorno REAL foi na sua grande maioria negativo, mas as pessoas a grande generalidade só pensa em termos absolutos e não em termos relativos.

Estes enviezamentos que existem há-os aos pontapés... é o mesmo que as pessoas acharem que uma acção de 10 centimos está barata porque estáa  a 10 centimos quando na verdade uma acção de 500 euros pode ser mais barata que uma de 1 centimo

O tempo o dirá... aqui fica o que o tempo dirá...

Mais uma vez fica o gráfico dos rolling returns.

Ficam os Rolling Returns para não se pensar que o retorno vem todo de um periodo passado. Ve-se que os rolling returns se mantém estáveis ao longo dos periodos.

Mesmo a última década que foi má em mercados, renderam bastante:

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Não concordo quando diz que não são os mais adequados às pessoas que preferem proteger o seu capital. Quem não se quer expor a volatilidade e tem um perfil mais conservador, pode simplesmente alocar uma maior fatia do seu capital em Bonds ou T-Bills. Julgo é que a esmagadora maioria das pessoas não conhece os instrumentos nem está suficientemente informada para tomar opções dessa natureza. A diversificação é uma forma simples de redução de risco. Quem tem o dinheiro no banco aplicado num deposito a prazo pode efectivamente ter o capital garantido, mas tem o capital totalmente alocado a um só activo, agora imagine que esse capital de hoje para amanha vale menos 30%-40%...

Entao expliquem-me la' uma coisa. Num portofolio variado, como recomendam, para reduzir o risco podemos alocar uma maior fatia em produtos (em teoria) mais seguros, certo?

Assim sendo, como e' que um portfolio composto por produtos com diferentes niveis de risco e' globalmente mais seguro que um composto apenas por produtos do tipo com menor risco?

Notem que nao estou a falar em investir tudo no mesmo produto, dependente do mesmo emitente/fundo de garantia. Mas sim em investir em diversos produtos do mesmo tipo, o tal "mais seguro".

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ja foi explciado diversas vezes. Devido ao fenómeno de correlação.

A nao ser que se esteja a falar exclusivamente em depósitos a prazo, onde nao existe variabilidade.

Mas mesmo assim, perdemos poder de compra grande parte das x's.

Por exemplo aquilo que é visto como a classe menos arriscada são as obrigações. Dentro das obrigações depois há tipos masi arriscados ou conservadores dependendo da sua Duração.

De qualquer das formas, uma carteira de 100% obrigações é mais arriscada que uma carteira por exemplo de 60% obrigações+ acções+ imobiliário, independentemente de que tenha dois componentes que sejam "arriscados".

Isto foi devidamente explicado no meu outro tópico e inclusive deixei lá os calculos matemáticos. A este conceito dá-se o nome de Portfolio de Variância Mínima, onde maximizamos o retorno ao mesmo tempo que minimizamos o risco, dentro da sua fronteira de eficiencia

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Obrigado pelo esclarecimento.

Ja' tinha lido essa e outras explicacoes, no entanto e com todo o respeito para quem nelas trabalhou ou as segue, nao consigo evitar a sensacao de "teoria do caos".

Vejo a bandeira da "diversificacao de tipos de produto como reducao de risco" a ser usada como a cura para todas as doencas, mas (in?)felizmente nao me consigo convencer a (por exemplo) investir um pouco em accoes de forma a "reduzir o risco" do meu portfolio actual (DP, certificados tesouro, obrigacoes).

Enfim, suponho que nao consigo ou nao quero entender ;)

De qualquer forma, o meu problema com as accoes, fundos, etc nao e' apenas o risco, mas sim o facto de preferir investimentos que sei 'a partida quando vao terminar e quanto irao render. Mas essa ja' e' outra historia...

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Talvez seja mais fácil de entender se considerar dois portefólio distintos.

Por um lado temos os investimentos que se sabe quando acabam e quanto rendem. Para aqui não são chamadas acções nem matérias-primas etc, pois são activos que valorizam e desvalorizam, logo dificilmente são comparáveis com DPs, obrigações (investimento directo), CTs.

Por outro lado podemos criar um portfólio de fundos de investimento. Ao contrário do investimento directo em obrigações, fundos de obrigações podem subir e descer de valor consoante as entidades gestoras compram e vendem no mercado secundário, existindo a tal volatilidade ou variância. Nestes casos é que entra a teoria da variância mínima, onde interessa ter correlações negativas entre os vários activos para minimizar a volatilidade global.

Resumindo, comprar acções detendo DPs, certificados tesouro, obrigacões não diminui o risco, já que não há volatilidade para ser atenuada - possíveis perdas só advêm de falências e decisões políticas, não do comportamento do mercado.

Deter acções em fundos de investimento já pode diminuir o risco de perdas já que mesmo sem falências se pode perder dinheiro em obrigações.

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quim razão onde?

"Os investidores portugueses foram vítimas de vários logros nos últimos anos. O BPP e o BPN foram amplamente falados. Mas pouca gente, além dos prejudicados, prestou atenção ao prejuízo que BCP e BES provocaram aos aforradores.

Entre 2009 e 2010 os dois bancos venderam na sua rede comercial valores mobiliários perpétuos subordinados: títulos de dívida, que para as instituições tinham a vantagem de fortalecer os rácios de capital. Convencidos de que estavam a fazer uma aplicação com capital garantido, os incautos investidores foram seduzidos pelos juros elevados que eram pagos no primeiro ano (bem mais altos que nos depósitos) e a expectativa de serem reembolsados ao fim de cinco. Expectativa, porque, como o nome indica, a devolução do dinheiro poderia ser adiada "ad eternum", enquanto o banco dele necessitasse.

No ano passado, pressionados por diferentes exigências de capital, os bancos propuseram aos clientes que trocassem as obrigações perpétuas por acções. Por cada mil euros investidos, o BCP entregou em Junho 1600 acções, com um preço de emissão equivalente a mil euros. Quase todos os aforradores aceitaram, até porque, caso quisessem levantar o investimento antes do reembolso, também perderiam dinheiro: os títulos perpétuos valiam menos 20% no mercado. Mas talvez não imaginassem que a emenda seria pior do que o soneto. A queda da cotação do BCP transformou os mil euros em 228. Uma perda superior a 75%.

O BES fez o mesmo em Novembro, numa operação mais sofisticada. Em troca de mil euros em valores perpétuos oferecia 800 em acções e 200 em obrigações de caixa. Também aqui a queda das cotações penaliza os investidores. A componente accionista vale agora cerca de 600 euros. O que dá uma perda total de 20%.

Para recuperarem as poupanças, os clientes do BES têm de esperar que as acções subam 33%. Os do BCP 337%. Muitos, perante a queda do preço das acções, já as terão vendido, tornando perpétuas perdas que nunca imaginaram, quando o gestor de conta lhes propôs a aplicação.

Cegos pela necessidade de reforçar o capital, os bancos sacrificaram a confiança dos clientes. Não dos clientes institucionais, que sabiam ao que iam, nem dos pequenos investidores temerários. Mas daqueles que, vítimas da sua iliteracia financeira, seguiram o conselho que lhes foi dado ao balcão. A estes, nem os supervisores, CMVM e Banco de Portugal <http://topicos.jornaldenegocios.pt/Banco_de_Portugal> , lhes valeram. O caso merece que se reflicta sobre a real eficácia da legislação na protecção dos consumidores de produtos financeiros.

*Editor de Mercados

Visto por dentro é um espaço de opinião de jornalistas do Negócios"

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Desculpa lá quim, mas isso não tem nada a ver.

Essencialmente, todo o artigo se resume à seguinte frase

aqueles que, vítimas da sua iliteracia financeira, seguiram o conselho que lhes foi dado ao balcão

Não acompanhei a emissão do BCP, mas em relação ao BES a publicidade era bastante clara. Só não viu os riscos quem não quiz ou não foi capaz de ver. Acredito que alguns gestores de conta não tenham agido correctamente (e por tal deviam ser punidos), mas cada um tem que olhar por si! Em espaços de discussão como este aprende-se bastante.

Já agora, pegando noutro caso mencionado, fui cliente BPN durante um par de anos, onde beneficiei das melhores taxas em DP do mercado. Não tive qualquer problema, tal como qualquer outro cliente que tenha investido nesses produtos de capital garantido por definição.

Dito isto, obviamente e como já amplamente mencionado cada um deve investir no que o deixa sossegado. Não tente é convencer os outros que as outras vias estão todas erradas. E isto aplico também a mim mesmo, quanto às minhas reservas em relação a acções, fundos, etc. Força nisso e boa sorte a todos!

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"Os investidores portugueses foram vítimas de vários logros nos últimos anos. O BPP e o BPN foram amplamente falados. Mas pouca gente, além dos prejudicados, prestou atenção ao prejuízo que BCP e BES provocaram aos aforradores.

Entre 2009 e 2010 os dois bancos venderam na sua rede comercial valores mobiliários perpétuos subordinados: títulos de dívida, que para as instituições tinham a vantagem de fortalecer os rácios de capital. Convencidos de que estavam a fazer uma aplicação com capital garantido, os incautos investidores foram seduzidos pelos juros elevados que eram pagos no primeiro ano (bem mais altos que nos depósitos) e a expectativa de serem reembolsados ao fim de cinco. Expectativa, porque, como o nome indica, a devolução do dinheiro poderia ser adiada "ad eternum", enquanto o banco dele necessitasse.

No ano passado, pressionados por diferentes exigências de capital, os bancos propuseram aos clientes que trocassem as obrigações perpétuas por acções. Por cada mil euros investidos, o BCP entregou em Junho 1600 acções, com um preço de emissão equivalente a mil euros. Quase todos os aforradores aceitaram, até porque, caso quisessem levantar o investimento antes do reembolso, também perderiam dinheiro: os títulos perpétuos valiam menos 20% no mercado. Mas talvez não imaginassem que a emenda seria pior do que o soneto. A queda da cotação do BCP transformou os mil euros em 228. Uma perda superior a 75%.

O BES fez o mesmo em Novembro, numa operação mais sofisticada. Em troca de mil euros em valores perpétuos oferecia 800 em acções e 200 em obrigações de caixa. Também aqui a queda das cotações penaliza os investidores. A componente accionista vale agora cerca de 600 euros. O que dá uma perda total de 20%.

Para recuperarem as poupanças, os clientes do BES têm de esperar que as acções subam 33%. Os do BCP 337%. Muitos, perante a queda do preço das acções, já as terão vendido, tornando perpétuas perdas que nunca imaginaram, quando o gestor de conta lhes propôs a aplicação.

Cegos pela necessidade de reforçar o capital, os bancos sacrificaram a confiança dos clientes. Não dos clientes institucionais, que sabiam ao que iam, nem dos pequenos investidores temerários. Mas daqueles que, vítimas da sua iliteracia financeira, seguiram o conselho que lhes foi dado ao balcão. A estes, nem os supervisores, CMVM e Banco de Portugal <http://topicos.jornaldenegocios.pt/Banco_de_Portugal> , lhes valeram. O caso merece que se reflicta sobre a real eficácia da legislação na protecção dos consumidores de produtos financeiros.

*Editor de Mercados

Visto por dentro é um espaço de opinião de jornalistas do Negócios"

Isso que tu falas são derivados.

Assim como no caso BPP. Os gestores podem não ter sido inocentes, mas se há coisa que os aforradores não foram é também inocentes.

E' que no caso do BPP a maioria estava investida em produtos de retorno absoluto. Retorno absoluto não é retorno garantido como um Depósito a Prazo.

Investimentos de retorno absoluto é hedge funds por exemplo, entre outros investimentos arriscados.

Os investimentos funcionam em dois trâmites, retorno relativo e absoluto. Relativo é praticamente todos os fundos de investimento, que quando têm uma performance melhor que um dado benchmark é um 'sucesso' ainda que possa ser negativo. Portanto a sua performance é medida RELATIVAMENTE a um benchmark.

Retorno absoluto é fazer $ independentemente do sentido do mercado. E no caso do BPP  foi isso que aconteceu. Não deviam ter tido direito a indemnização nenhuma, os contratos são para se ler.

Quanto às obrigações perpétuas a mesma coisa, só sai ludibriado quem quer. Está lá tudo escarrapachado. E quem não lê os prospectos só tem a si proprio a quem se culpar.

Se leu o prospecto e não entendeu nada do que lá está escrito, bom geralmente eu quando não percebo uma coisa, primeiro ou tento perceber ou segundo não me meto.

Para acabar continuo a dizer "razão onde?" ...

A noticia em nada tem a ver com o que referi... nenhum do exemplo que referiu são investimentos normais... são na sua maioria derivados, e como lá está requerem outro tipo de abordagem.

Eu negoceio derivados, desde futuros agrícolas, de energia, taxas de juro, entre outros e sei os riscos que incorro.

Agora o que se falou mais acima em nada tem que ver com derivados, mas sim investimentos normalíssimos como acções, obrigações, etc.

E não acções nao é comprar apenas 1 ou 3 e esperar que aquilo dê alguma coisa. O risco incorrido dessa forma é gigante, e depois as pessoas admiram-se de perderem $.

um portfolio tem que ser devidamente diversificado.

Por exemplo o portfolio que eu falei no outro tópico estamos investidos em cerca de 6 mil empresas diferentes, 20 e tal matérias primas diferentes, outras 2 mil empresas em obrigações, e em não sei quantas propriedades imobiliárias. Tudo nos 4 cantos do globo.

Como disseram e bem, se houve dolo por parte dos gestores de conta então devem ser devidamente penalizados, o problema está é que grande parte dos gestores de conta nem percebem patavina ...

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Será esta uma boa altura para comprar Dollars Americanos ou Libras Inglesas, e constituir um depósito a prazo?

Tendo em conta um eventual estouro do EURO.

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Honestamente não sei.

Da minha parte vejo 3 cenários:

1- PIIGS abandonam € - Euro valoriza

2- Alemanha abandona € - Euro desvaloriza

3- Chega-se a um acordo sobre as Eurobonds e pode ser que nos safemos - Tudo pode acontecer

Não sei qual deles será mais ou menos provavel de acontecer mas diria que diversificar os depositos em dolares ou libras(e preferencialmente outras classes de activos) é capaz de ser mais seguro do que ter tudo em euros...

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Eu vejo o Euro ir abaixo dos 1.15.

Tem sido essa a minha visão desde os 1.45. O momento ideal tinha sido esse.

Agora é sempre um pouco mais "arriscado" obviamente, estás um pouco na terra de ninguém entre dois possíveis targets.

Depositares noutra moeda é arriscado visto que tu vives em euros.

Eu tentaria meter num banco estrangeiro em euros, de preferencia Alemanha, Holanda ou Luxemburgo.

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Bom Dia

Pegando no tópico eu pergunto

Abrindo uma conta num banco. Dou como exemplo o best e investindo em fundos de moeda estrangeira ou outra aplicação de que modo nos estamos a proteger as nossas poupanças???

Pergunto isto porque se o banco é portugues e a Europa der para o torto...o escudo irá voltar....mesmo que eu tenha 5000 euros investidos em produtos alemães ou americanos, na data de os vender o banco vai-me dar o resultado sempre em escudos e nunca na moeda com a qual estaria a trabalhar. Se um euro á entrada para o euro valia mais ou menos 200 escudos...caso uma saida de Portugal do euro....de certo que vamos precisar bem mais de 200 escudos para comprar um euro. Seundo li fala-se de uma desvalorização de 35%.

Existe algum modo de nos defendermos desta situação???

Alias na minha compreensão foi isto que aconteceu recentemente com a ida ao mercado da Alemanha. Devido á procura e á força da sua moeda (marco) os investidores não se importaram de perder um pouco de dinheiro mas garantiam as suas economias em marcos. Deste modo a Alemanha conseguiu "emprestimo" com juros negativos.

Resumindo a minha questão.

Existe algum modo de abrir uma conta e fazer um investimento que na altura de o retirar me seja pago na moeda que escolhi, seja ela marco ou libra. e nunca me paguem em escudos.

Obrigado pelas respostas e espero não ter sido muito confuso.

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Abrindo uma conta num banco. Dou como exemplo o best e investindo em fundos de moeda estrangeira ou outra aplicação de que modo nos estamos a proteger as nossas poupanças???
Podes estar podes não estar, depende se essa moeda valoriza ou não relativamente ao euro.

Se o euro agora de repente começar a valorizar novamente, ao investir em moeda estrangeira, mesmo que essas aplicações valorizem alguma coisa estarás sempre a perder parte dessa valorização para o câmbio. No limite a aplicação pode ter um rendimento positivo e tu perderes dinheiro porque a desvalorização da moeda face ao euro foi maior que a rentabilidade do produto. Claro que o inverso também pode acontecer - um produto pode dar prejuízo e mesmo assim ganhares dinheiro (em euros) porque o euro perdeu valor.

Pergunto isto porque se o banco é portugues e a Europa der para o torto...o escudo irá voltar....mesmo que eu tenha 5000 euros investidos em produtos alemães ou americanos, na data de os vender o banco vai-me dar o resultado sempre em escudos e nunca na moeda com a qual estaria a trabalhar.
Sim, mas tudo depende da data em que esperas até fazer a conversão - obviamente a conversão será feita ao câmbio que estiver em vigor nesse dia: tanto podes perder como ganhar dinheiro, mais uma vez.

Além disso, tipicamente podes vender esses produtos e manter o dinheiro numa conta em divisa estrangeira, à espera de o reinvestir de novo.

Se um euro á entrada para o euro valia mais ou menos 200 escudos...caso uma saida de Portugal do euro....de certo que vamos precisar bem mais de 200 escudos para comprar um euro. Seundo li fala-se de uma desvalorização de 35%.

Porquê? O escudo que aparecesse não tem nada a ver com o anterior... porque não começar com 1$00 = 1€?

Essa desvalorização nunca seria instantânea (embora pudesse ser muito rápida nos primeiros tempos). Ou seja, no dia da mudança, terias exatamente o mesmo dinheiro. O que está em causa é que o escudo provavelmente iria desvalorizar mais depressa que o euro - conseguirias comprar menos coisas com escudos do que com euros, ou seja, a inflação iria disparar. Mas, assumindo uma conversão de 1 para 1, se começas o ano com 1000€ e a conversão é feita a meio, acabas o ano com 1000$00. Mas se calhar consegues importar menos os tais 35% de produtos ao fim do ano...

Devido á procura e á força da sua moeda (marco) os investidores não se importaram de perder um pouco de dinheiro mas garantiam as suas economias em marcos. Deste modo a Alemanha conseguiu "emprestimo" com juros negativos.

Eu ainda gostava que alguém me explicasse essa - não seria mais rentável simplesmente ter ficado com o dinheiro em casa? Ao fim de uns meses tem-se o mesmo; comprando essas obrigações alemãs ao fim de uns meses tem-se menos!!!

Existe algum modo de abrir uma conta e fazer um investimento que na altura de o retirar me seja pago na moeda que escolhi, seja ela marco ou libra. e nunca me paguem em escudos.

Fazes o investimento nessa moeda. Mas dificilmente to devolverão em marcos, porque o marco já não existe ;)

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Bom dia,

Alguém pode-me, por favor, me dar o link do Salvador onde ele abordou este assunto com mais pormenor ?

Obrigado pela atenção.

Carlos

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Eu ainda gostava que alguém me explicasse essa - não seria mais rentável simplesmente ter ficado com o dinheiro em casa? Ao fim de uns meses tem-se o mesmo; comprando essas obrigações alemãs ao fim de uns meses tem-se menos!!!

A taxa de juro não é negativa. A taxa de juro é sim inferior à inflacção prevista o que faz com que a taxa de juro real seja negativa. Já agora aconselho a leitura do seguinte artigo para se perceber melhor: Emprestar dinheiro à senhora Merkel e deixar gorjeta.

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A taxa de juro não é negativa. A taxa de juro é sim inferior à inflacção prevista o que faz com que a taxa de juro real seja negativa. Já agora aconselho a leitura do seguinte artigo para se perceber melhor: Emprestar dinheiro à senhora Merkel e deixar gorjeta.

Aquilo que li na altura em várias publicações que ainda são minimamente credíveis é que os investidores no fim receberiam de volta menos dinheiro do que investiram. Isso não tem a ver com ser superior ou inferior à inflação, tem mesmo a ver com uma taxa de juro negativa!

O artigo que referiste não desdiz isto, muito pelo contrário - não é feita qualquer referência à inflação.

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