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Nico

João Salgueiro culpa portugueses pelo excesso de endividamento

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João Salgueiro culpa portugueses pelo excesso de endividamento

João Salgueiro, presidente da Associação Portuguesa de Bancos, culpa os portugueses pelo excesso de endividamento das famílias, apesar de reconhecer que as campanhas publicitárias estimulam o endividamento das pessoas.

O presidente da Associação Portuguesa de Bancos considerou, esta quarta-feira, em entrevista à TSF, que as constantes subidas do preço do dinheiro devem-se à pouca confiança existente no mercado interbancário e à falta de liquidez.

João Salgueiro entende que os portugueses sentem na carteira o peso do aumento das taxas de juro, mas frisou que a “cultura do desenrasca”, muito própria do povo lusitano, que não faz contas à vida, também não ajuda.

“O endividamento começa nas campanhas de publicidade”, já que “quando há uma campanha agressiva para passar férias no Brasil”, as pessoas convertem dívidas para aproveitar a viagem, ou seja, “a decisão não é dada pelo endividamento mas pela compra”, sublinhou.

O presidente da Associação Portuguesa de Bancos frisou que “o problema do estilo de vida é uma questão de mentalidade, estimulada pelas campanhas de publicidade”.

Quanto à actual crise financeira internacional, que está a afectar sobretudo os Estados Unidos, João Salgueiro considerou “pouco provável” que Portugal seja afectado.

in Jornal de Negócios -  http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS&id=332726

Quem mais haveria de ser culpado? As campanhas publicitárias estimulam o endividamento, é certo, mas é precisamente esse o negócio deles. Na minha opinião, ninguém pode culpar uma instituição financeira que seja pelo facto dos portugueses estarem sobre-endividados. A menos que os bancos andem de chicote na mão a obrigar as pessoas a contrair créditos para produtos e serviços que não podem pagar, os únicos culpados são quem se entusiasma demais e os contrata sem terem a noção do esforço que têm de fazer.

As instituições de crédito podem, isso sim, estar-se a aproveitar da baixa literacia financeira do nosso país, mas mesmo aí cabe a cada um (in)formar-se para que possa "lutar" com as mesmas armas.

Isto é especialmente verdade nos créditos ao consumo, nas tais viagens ao Brasil que não se podem mesmo perder, mesmo que isso signifique ter a corda na garganta nos próximos anos ou não conseguir fazer face a um imprevisto relevante. Cada um tem de saber de si, não serão as instituições de crédito que têm de fazer de paizinhos e deixar de prosseguir a sua actividade porque se calhar não é aconselhável que uma determinada pessoa se aventure numa despesa que não pode pagar.

O crédito à habitação já é uma história bem diferente, é quase inevitável, para a maioria de nós. A menos que fiquemos a viver na casa dos pais até aos 40 ou 50 anos, porque de outra maneira não dá para não contrair crédito, praticamente não há alternativa. Para quem não tem pais ricos nem ganhou o Euromillions, pelo menos.

Depois acho piada aos senhores que ficam muito incomodados pelo facto de os jovens portugueses ficarem cada vez mais tempo na casa dos pais, ao contrário da maioria dos jovens europeus. Qual é a alternativa? Pedir um empréstimo ao banco, quando ainda não se tem rendimentos ou quando os que já se têm para pouco mais chegam para além das despesas básicas e normais do dia-a-dia? Depois há-de vir alguém que reclama que os jovens portugueses se endividam para além das suas disponibilidades e que não têm juízo nenhum com as suas finanças pessoais.

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O crédito à habitação já é uma história bem diferente, é quase inevitável, para a maioria de nós. A menos que fiquemos a viver na casa dos pais até aos 40 ou 50 anos, porque de outra maneira não dá para não contrair crédito, praticamente não há alternativa. Para quem não tem pais ricos nem ganhou o Euromillions, pelo menos.

Depois acho piada aos senhores que ficam muito incomodados pelo facto de os jovens portugueses ficarem cada vez mais tempo na casa dos pais, ao contrário da maioria dos jovens europeus. Qual é a alternativa? Pedir um empréstimo ao banco, quando ainda não se tem rendimentos ou quando os que já se têm para pouco mais chegam para além das despesas básicas e normais do dia-a-dia? Depois há-de vir alguém que reclama que os jovens portugueses se endividam para além das suas disponibilidades e que não têm juízo nenhum com as suas finanças pessoais.

Apenas um pormenor - há muitos outros países na Europa onde se verifica uma saída cada vez mais tardia dos filhos de casa. Ainda há tempos, li uma reportagem sobre esse fenómeno em Espanha... e a realidade económica espanhola é bem diferente da nossa.

De resto quase de acordo em tudo. Excepto num pormenor. Passo a explicar:

Realmente a ileteracia financeira é a culpada de grande parte desta situação. Mas, justamente por esse motivo é que se está a intervir e a legislar no sentido de proteger o cidadão - vejam-se as leis que têm sido aprovados nos últimos meses a proibir comissões estapafúrdias, penalizações milionárias por transferências de crédito, etc. Agora, há no código civil uma disposição que diz que cobrar taxas demasiado elevadas é crime de usura. Eu não sei qual é legalmente a definição de usura (no código civil brasileiro é considerada usura a cobrança de taxas acima do dobro das taxas oficiais mas, não só não encontrei o valor destas, como não encontrei também a definição no código civil português).

Dizia alguém ontem num programa da RTP2 que permitir a contratação de empréstimos de 6000€ a 28% é o mesmo que deixar alguém atirar-se do precepício. Há algum tempo o Paulo Portas chamou de usura as elevadas taxas praticadas pelas instituições financeiras e pedia a intervenção do Banco de Portugal. Pelos vistos todos fizeram orelhas moucas... também não ouvi ninguém explicar porque é que não era usura (se calhar porque não dá para explicar).

Posto isto, e apesar de muitas vezes não concordar com as ideias do senhor PP, neste caso estou muito de acordo com ele - a culpa pode até ser dos portugueses por contratarem esses serviços, mas permitir que uma situação destas se mantenha e não fazer nada já não está só nas mãos deles...

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Eu acho que essas situações se mantêm porque os consumidores as suportam. Repara, alguém que quer contrair um crédito de 6.000€, seja lá por que razão for, e que aceita contrair um crédito com uma TAEG de 28%, das duas, três: ou não faz a mínima ideia do que está a fazer e então devia estar quieto ou pedir ajuda especializada; ou não está para se chatear a procurar outras propostas e outras condições noutros locais e "olha, vai já este"; ou então está tão desesperado pela necessidade de dinheiro que não vê que assim só piora as coisas.

Eu não percebo nada de pintura. Se eu for comprar um quadro (na óptica de investidor) hoje, é perfeitamente natural que meta os pés pelas mãos. Se depois começar a dizer que Pablo Picasso foi um extraordinário jogador de futebol do Barcelona e que Monet é o nome de um circuito de Fórmula 1, é claro que a pessoa que me vende o quadro vai inflacionar o preço até à estratosfera, porque eu não tenho a mínima ideia do que estou a comprar e se o que estou a comprar vale aquele dinheiro ou não.

Isto para dizer que: se as pessoas não sabem lidar com dinheiro e não têm formação adequada para tratar destes assuntos (até porque no nosso sistema de ensino só agora, muito lentamente, se começa a fazer alguma coisa por isso), ou não se metem no que não percebem, ou então procuram ajuda especializada que, parecendo que não, vai poupar muitos e bons euros ao bolso da pessoa.

Se as pessoas se (in)formarem do que estão a fazer, das alternativas que podem ter, do passo que pode ser maior do que a perna, então esses créditos de 6.000€ a 28% deixam de existir, porque não há quem os compre.

Eu entendo que nem todas as pessoas tenham os conhecimentos suficientes para avaliar as situações. Mas isso não é vergonha nenhuma. Passa a ser vergonha se essas pessoas não fizerem um esforço para compreender os passos que dão ou não estejam nem para aí virados para saber se um determinado produto financeiro que compram é bom ou não para a sua própria saúde financeira. Não deve ser a lei a determinar se uma taxa é exagerada ou não. Deve ser a lei a determinar que a informação a prestar ao consumidor é suficiente e fidedigna e que a informação essencial que o consumidor deve ter ao comprar um produto, a tenha. A partir daí, automaticamente as taxas de 28% para 6.000€ deixam de existir.

Na cadeira de Negociação que tive na Faculdade, o Professor organizou-nos em pares e deu 1 enunciado a cada um. Tratava-se da compra/venda de um terreno e cada enunciado tinha as suas informações, desde a história do vendedor, as motivações do comprador, as características do terreno, etc. Além disso, o Professor informou-nos que ele era o Presidente da Câmara Municipal. A partir disto, pediu-nos para sairmos da sala, ir cada par (comprador e vendedor) para seu lado e negociar a compra/venda do terreno. A questão é que cada parte tinha apenas informação parcial: o comprador tinha como preço de referência os 200€/m2 e não sabia que o vendedor tinha como referência os 20€/m2, e vice-versa. Como é natural, o primeiro do par (normalmente o vendedor) a definir o preço inicial (que depois iria ser naturalmente negociado) saiu sempre a perder, é só fazer uma simulaçãozinha. Quando voltámos à aula, alguns estavam extasiados por fecharem uma compra a 40€/m2 (tendo no seu enunciado o preço de referência de 200€/m2) enquanto que os vendedores, contentíssimos por terem fechado a venda ao dobro da sua referência, se aperceberam que tinham feito um péssimo negócio, quando poderiam ter vendido perto dos 200€/m2.

No fim da aula é que o Professor nos disse que, como ele era o Presidente da Câmara, tinha a noção dos negócios que se faziam na cidade e podia dar informações acerca de uma referência mais acertada para um terreno de determinadas características, etc.

Isto tudo para ilustrar que, se as pessoas não se informam, se não sabem o que estão a fazer, se não querem ter o trabalho de comparar alternativas, não se pode depois descarregar a culpa para cima de quem apenas gere o seu negócio da melhor maneira possível.

As taxas estratosféricas dos créditos que actualmente se praticam deixarão de existir quando as pessoas estiverem conscientes de que encontram melhores propostas ou que aquela proposta pura e simplesmente não interessa a ninguém, mesmo que seja o valor justo para aquele risco. Pode até ser um valor justo, mas aí provavelmente a pessoa não está em condições de contrair empréstimo algum.

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Eu acho que essas situações se mantêm porque os consumidores as suportam. Repara, alguém que quer contrair um crédito de 6.000€, seja lá por que razão for, e que aceita contrair um crédito com uma TAEG de 28%, das duas, três: ou não faz a mínima ideia do que está a fazer e então devia estar quieto ou pedir ajuda especializada; ou não está para se chatear a procurar outras propostas e outras condições noutros locais e "olha, vai já este"; ou então está tão desesperado pela necessidade de dinheiro que não vê que assim só piora as coisas.

1. Muito poucos, não sabendo o que estão a fazer pedem ajuda. Seja por vergonha de admitir que não sabem seja porque simplesmente não sabem a quem pedir. E pedem a quem acham que percebe mais do assunto - justamente a empresa a quem vão pedir o empréstimo que naturalmente tem outros interesses.

2. Os que não estão para se chatear é porque normalmente não têm problemas. Portanto não me preocupo muito com esses.

3. Lá está - acaba por ir parar ao mesmo do número um - quem acaba por (des)aconselhar os desesperados são justamente as empresas que os enterram ainda mais.

Acho que nem tudo está perdido. Hoje em dia, provavelmente por causa da subida das taxas e do crédito mal parado, há cada vez mais entidades a alertar para a melhor forma de contratar um empréstimo; a explicar como escolher de entre as ofertas no mercado; os cuidados a ter, etc. E acho que, aos poucos, a mensagem vai passando.

Mas infelizmente a coisa ainda vai piorar um bocado antes de começar a melhorar... ainda vai haver muita gente a ter que aprender da pior forma quais os cuidados a ter com um empréstimo :(

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Agora, há no código civil uma disposição que diz que cobrar taxas demasiado elevadas é crime de usura. Eu não sei qual é legalmente a definição de usura (no código civil brasileiro é considerada usura a cobrança de taxas acima do dobro das taxas oficiais mas, não só não encontrei o valor destas, como não encontrei também a definição no código civil português).

Procura no Código Penal Português. Salvo erro artigo 226º. Mas isso é muito difícil de provar. O exemplo dos casinos: As pessoas que emprestam dinheiro aos que jogam ali, a juros elevadíssimos, cometem esse tipo de crime.

(Faltava-me referir o casino no que escrevi anteriormente como exemplo de usura. Está feita a correcção. Peço desculpa a quem me leu.)

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