berlioz

juros da dívida pública portuguesa_ Duvidas????

5 publicações neste tópico

Boas

Gostaria de um esclarecimento acerca dos juros da dívida pública portuguesa.

Como foi bastante divulgado nos média hoje bateram os 7% a 10 anos.....

O que quer isto dizer????

- que alguém que compre os títulos tem de os manter durante 10 anos e que irão render 7% ao ano???

No caso de rentabilizarem 7% ao ano, a capitalização anual é depois somada ao ano seguinte?

- Quem pode comprar estes títulos e quais as suas quantidades ou valores?

- Se a sua venda é aberta a todos , acham que será um bom investimento a longo prazo?

- Existem outro tipo de títulos de divida publica, a um ano ou a 5 anos por exemplo?

Agora um aparte pessoal.

- será que o estado não ganharia mais se oferecesse uma taxa de 5 ou 6 % nos certificados de aforro, em vez de se ir endividar no estrangeiro??? Assim seriam euros dos portugueses a financiar o estado e escusavamos de estar dependentes dos mercados estrangeiros e da sua especulação.

desde já o agradecimento pelo esclarecimento.

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São muitos esclarecimentos :)

As taxas de que tanto se tem falado nos media ultimamente são as das Obrigações do Tesouro a 10 anos. O Estado também emite obrigações a outros prazos mais baixos a taxas mais baixas.

Como todas as obrigações, até atingirem a sua maturidade, todos os anos, na data de aniversário, o Estado entrega juros à taxa a que as obrigações foram emitidas. Quanto atingirem a maturidade o Estado devolve o dinheiro que lhe foi emprestado.

No caso concreto das Obrigações do Tesouro, só podem ser negociadas por entidades registadas no IGCP para esse efeito (não sei bem quais são os requisitos, mas sei que na prática implica que sejam grandes investidores como bancos, por exemplo).

Estas entidades licitam a taxa por que querem adquirir determinada quantidade de obrigações - o Estado põe X€ a leilão e quem licitar as taxas mais baixas ganha as obrigações. estes leilões ocorrem periodicamente, por iniciativa do IGCP.

Como disse, o valor investido nas OTs só é devolvido no fim do prazo. Mas caso necessitem do dinheiro antes, os investidores podem tentar vender as Obrigações a uma terceira parte (aqui julgo que já podem entrar os privados - o banco BIG, por exemplo, apresenta obrigações do estado português como negócio aos seus clientes). O preço porque as vendem não precisa de ser exactamente igual àquele por que as compraram. Tipicamente, se toda a gente acha que o Estado vai falir, só se vai conseguir vender as OTs a um preço muito mais baixo - no entanto, isso quer dizer que quem as comprou, se efectivamente a maturidade for atingida e as OTs reembolsadas, fica a lucrar (se pagou 90 por uma coisa que no fim é reembolsada a 100, por exemplo, lucrou 11%, para além da taxa de juro, claro).

Salvo erro é a isto que se chama o mercado secundário e acho que são estas as taxas que têm sido anunciadas nos media.

Portanto, voltando atrás, a sua venda não é aberta a todos. Mas o Estado criou um produto parecido - os Certificados do Tesouro - cuja taxa pode atingir valores próximos dos das Obrigações do Tesouro desde que o investidor mantenha os títulos pelo período de 10 anos.

No entanto, tal como acontece com os certificados de aforro, os montantes que se conseguem por esta via não são suficientes para os tornar interessantes do ponto de vista do financiamento (ainda hoje houve um leilão de mais de mil milhões de euros de dívida - repara que se cada português pudesse comprar OT, cada um tinha de comprar 100€ - por muitos CA e CT que os particulares comprem, nunca atingirão aquela ordem de grandeza).

Além de que estes produtos têm uma liquidez muito superior - o aforrador pode levantar o dinheiro em praticamente qualquer altura, em vez de ter que o manter empatado durante o prazo estipulado, o que dificulta as contas porque nunca se sabe bem com quanto dinheiro se conta em cada instante.

Eu espero não ter cometido nenhum erro grave no que descrevi atrás. Também há muita coisa nesta história toda que não percebo mas é mais ou menos assim que julgo que elas são.

Quem quiser explicar melhor eu também agradeço ;D

De qualquer forma o site do IGCP ajuda a responder a muitas dúvidas: http://www.igcp.pt/gca/?id=57

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Também não sou de todo especialista, mas dado que estive ontem a receber algumas informações do meu gestor de conta no Best, penso poder mandar alguns bitaites :D

As OTs são primeiro negociadas no mercado primário, onde o montante mínimo das transacções é 1 Milhão EUR.

Posteriormente, parte delas são posta à venda no mercado secundário, já acessíveis ao público. Sei que via Banco Best é possível fazer compras a partir de 5000 EUR. Como o pauloaguia explicou, além da taxa fixa de juro anual, o preço a que se compram os títulos também contribui para a rentabilidade total do investimento.

Através deste link podem-se consultar os títulos de divida pública portuguesa à venda na bolsa de Estugarda.

Para uma situação em que se adquire títulos para manter até ao final (data de maturidade), as colunas mais importantes são

"Price": O preço actual de venda, em percentagem do valor nominal. Por exemplo, se o preço for 80.00 e investires 5000 EUR, estás na realidade a adquirir (5000 / 0.80 =) 6250 EUR de títulos. É esse o montante bruto que se recebe na data de maturidade.

"Interest": Taxa bruta anual de juro. É aplicada sobre o valor nominal dos títulos. No exemplo, sobre os 6250 EUR.

"Yield": Taxa aproximada da rentabilidade total anual, tendo em conta a taxa de juro e o preço dos títulos. Não considera os 20% que recentemente passaram a ser cobrados em Portugal sobre a diferença entre o valor nominal e o valor investido. No exemplo, teria que se pagar ao estado 20% de (6250 - 5000 =) 1250 EUR na data de maturidade do título.

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Através deste link podem-se consultar os títulos de divida pública portuguesa à venda na bolsa de Estugarda.

Pegando num destes exemplos, aproveito para fazer algumas considerações:

Maturidade: 15/06/2020 (OTs a 10 anos imagino)

Juro: 4.800%

Preço: 83.62 G

Yield: 7.22

Ou seja, isto quer dizer que nesse mercado aquela emissão em particular está a ser comprada a um preço que representa 83,62% do seu valor nominal (Quem deu 100.000€ para comprar obrigações desta emissão perde mais de cerca de 15% se as tentar vender agora).

Isto significa, por um lado, que há poucos interessados em comprar e/ou, por outro, que quem as tem está tão ansioso por se ver livre delas que as vende ao "desbarato".

Quem as compra por 83.620€, caso as aguente até ao fim, receberá à mesma os 100.000€ do Estado português na maturidade, pelo que, entrando também em linha de conta com o juro, irá ter um rendimento equivalente a uma taxa anual de 7,22% (é isto que significa o yield).

Uma taxa tão alta deveria atrair compradores mas, devido aos rumores de provável falência do estado eles consideram que o risco não o justifica; estes mesmos rumores levam a que quem as detém, para não arriscar perder a totalidade do dinheiro se queira ver livre delas - como há poucos compradores, vende-as a um preço baixo - é preferível perder 17 do que os 100! (eventualmente, quem as vende agora a 83 também já as comprou a um preço mais baixo que 100 mas isso agora não interessa).

Obviamente, nas novas emissões que Portugal faz, se os juros não forem desta ordem de grandeza os investidores preferirão comprar as emissões mais antigas em vez de comprar novas emissões. Isso explica porque é que os preços do mercado primário tendem a acompanhar os do secundário.

Taxas cada vez mais altas aumentam os receios do risco de falência, o que diminui o interesse dos compradores, faz baixar o preço, aumenta os yields, o que obriga o estado a vender novas obrigações a taxas mais altas e pronto - está instalada a espiral da crise da dívida.

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Ao que sei o Deutsch Bank vai ter divida do estado a EUR3M + 2,5% por 5 anos com pagamento de juros trimestrais.

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