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carlos2008

Fadiga na condução

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Ainda a propósito daquela questão que gerou a discussão sobre condução - condutores seniores - exames médicos - etc - olhem isto que me veio parar à caixa de correio, interessante:

A fadiga é um estado de cansaço contínuo que condiciona a obtenção de bons resultados em qualquer actividade e que se caracteriza por uma diminuição das capacidades perceptivas, cognitivas e motoras. A fadiga diminui a vigilância, a atenção, a capacidade perceptiva, a resposta reflexa, o tempo de reacção e todo o processo de tomada de decisão. Sendo a condução uma actividade complexa e exigente, os efeitos da fadiga são muito prejudiciais.

Mas apesar de o sabermos, a maioria dos condutores despreza este factor de risco e não se coíbe de conduzir em estados de grande fadiga. Mesmo o condutor que habitualmente não conduz quando ingere bebidas alcoólicas, por exemplo, raramente deixa de conduzir “só” porque está cansado. Estudos europeus apontam a fadiga como uma causa imediata ou potenciadora dos sinistros rodoviários em pelo menos 10% na condução de ligeiros e 20% na condução de pesados. 

Quais as causas da fadiga?

As causas são diversas e têm variantes pessoais, no entanto aqui fica uma lista das mais comuns:

·        Deficit de horas de sono

·        Grande esforço físico

·        Trabalho intelectual intenso

·        Ingestão de bebidas alcoólicas

·        Uso de alguns tipos de medicamentos

·        Estado de stress

·        Estado de doença

·        Má forma física

·        Posição desconfortável ao volante

·        Longas horas de condução

·        Temperaturas extremas (muito calor ou muito frio)

·        Ambiente saturado (fumo de tabaco, CO2, etc.)

·        Monotonia provocada pelo meio ambiente e/ou pelo traçado da via

·        Deficiente arejamento do habitáculo do veículo

·        Refeições pesadas

·        Condução nocturna

·        Deficiências visuais não corrigidas

A primeira causa de fadiga identificada nesta lista, a falta de horas de sono, é uma das mais importantes e aparece associada a muitos sinistros.

Porquê o deficit de horas de sono?

Antes da era da electricidade, a população do mundo ocidental dormia em média cerca de 9 horas. Na década de 50 do século passado, a média baixou para menos de 8 horas. Nas sociedades modernas, para a população activa, 8 horas seguidas de sono são considerados um luxo. As pressões económicas, o aumento de horas de trabalho pela competitividade laboral, o ruído, a luminosidade urbana, a televisão e a Internet, são apenas algumas das causas de menor tempo dedicado ao sono.

Estima-se que, em média, uma pessoa precise de dormir entre 6,30 a 9h por noite. 1 a 2 horas de sono em défice por noite, equivale a uma noite em claro ao fim de 4 a 5 dias.

Para quê dormir?

As funções do sono têm sido sucessivamente discutidas e estudadas, sendo diversas as funções propostas, desde a antiguidade até aos nossos dias. O que se sabe actualmente é que o sono é um processo multifuncional, que executa diversas funções: com carácter reparador, restaurador, de conservação de energia e ainda comportamental pela protecção da estimulação excessiva ou conflitual.

Quando não se dorme o suficiente, mesmo que seja apenas numa noite, inicia-se uma “dívida de sono” que se vai acumulando até que o sono necessário seja reposto. Uma sonolência problemática ocorre quando a dívida de sono se acumula. Se forem perdidas demasiadas horas de sono, o facto de dormir mais ao fim de semana pode não ser suficiente para reverter completamente os efeitos de não dormir o necessário durante a semana.

A privação de sono leva à fadiga, à sonolência diurna, falta de concentração, depressão e irritabilidade, afectando ainda a memória.

Adormecer ao volante?!

É comum pensar-se que a fadiga ao volante corresponde ao adormecimento durante o acto da condução. Contudo, o adormecimento corresponde a um estado extremo de fadiga, que já ultrapassa o estado de sonolência. Há de facto condutores que adormecem de exaustão e embatem ou se despistam na sequência desta perda de consciência. No entanto este não é o efeito do sono mais comum no condutor fatigado e sonolento.

O micro-sono

O micro-sono é um fenómeno de adormecimento que pode durar de uma fracção de segundo até 3-14 segundos. Este é consequência de privação de sono, fadiga mental, depressão, entre outras causas. O micro-sono pode ocorrer a qualquer momento ao condutor, normalmente sem sintomas prévios. É o caso típico do condutor que reconhece que está cansado e com algum sono, mas que recusa a possibilidade de adormecer ao volante. Estudos mostraram que este fenómeno é muito mais comum do que se julgava.

Não esquecer que a fadiga é, só por si, um agente indutor da sonolência.

Outras causas da fadiga

É importante que os condutores reconheçam as principais causas da fadiga e/ou sonolência ao volante, para que possam tomar medidas preventivas, especialmente antes de uma viagem longa.

O pico da fadiga e da sonolência surge normalmente entre as 2 e as 6 horas da madrugada, quando o ritmo biológico induz o sono, e à tarde entre as 14 e as 16 horas, normalmente associado à fase da digestão do almoço. Existem ainda outros factores de ordem pessoal como a toma de determinados medicamentos, de álcool ou estupefacientes. De referir ainda outros factores externos respeitantes à infra-estrutura e meio rodoviário, como sejam um ambiente rodoviário monótono, a circulação nocturna, grande ou muito reduzida intensidade de tráfego, etc.

Quais os sinais de alerta do condutor fatigado ou sintomas da fadiga?

·        Bocejos frequentes

·        Dificuldade de concentração

·        Dificuldade em manter os olhos abertos e em os focar

·        Sensação de picadas nos olhos ou de olhos pesados

·        Sensação de entorpecimento e cãibras

·        Impaciência, mau humor

·        Dificuldade em manter a cabeça direita

·        Sensação de reagir com mais lentidão

·        Dificuldade em reter em memória acontecimentos imediatamente anteriores, como a dificuldade em recordar os últimos metros ou quilómetros percorridos

·        Pensamentos desconexos

·        Sensação de sonhar acordado

·        Mudanças constantes de velocidade

·        Alterações no desempenho da condução, como dificuldades no manuseamento da caixa de velocidades ou travagens pouco suaves

·        Sensação de que todos os outros condutores conduzem mal

·        Sensação de alterações no ruído próprio do veículo

  Principais efeitos da fadiga na condução

·        Perda de vigilância em relação ao meio envolvente

·        Aumento do tempo de reacção – estima-se que, após 2h de condução continuada, o tempo de reacção normal do condutor duplique e consequentemente a distância de reacção e a distância de paragem do veículo aumentem

·        Lentificação da resposta reflexa

·        Diminuição da capacidade de decisão

·        Perturbações na visão

·        Períodos de ausência, micro-sono

·        Aumento da sensação de esforço

·        Menosprezo pela sinalização e dificuldades na sua descodificação

·        Dificuldade em manter estável a trajectória do veículo

Fadiga e álcool

Estudos internacionais provam que os efeitos da fadiga na condução são em tudo semelhantes aos efeitos provocados pelo álcool. Sabe-se que após 19 horas de privação de sono a diminuição de desempenho é equivalente à observada em indivíduos com uma TAS de 0,50g/l e que após 24 horas sem dormir essa diminuição é similar a uma TAS de 1g/l. A condução sob os efeitos simultâneos da fadiga e do álcool é extremamente arriscada. A junção explosiva de álcool e privação do sono, pode explicar o elevado índice de gravidade na sinistralidade rodoviária que ocorre no período nocturno, envolvendo particularmente os condutores mais jovens.

Combater a fadiga

Todos conhecemos uma série de “dicas” acerca da forma de como se deve combater a fadiga, as quais, na maior parte das vezes, têm um efeito muito limitado, ou não ajudam a diminuir a fadiga, como ainda a podem agravar mais. Uma das ideias é que quando estamos cansados devemos tomar um café. Como estimulante, durante um pequeno período aumenta o estado de alerta, todavia esse período é de curta duração e uma vez decorrido, a fadiga retorna e instala-se com mais intensidade.

Outra técnica muito falada é a de abrir a janela para o ar fresco reanimar o condutor e fazer com que a fadiga passe. Este comportamento possui um efeito de muita curta duração.

Outro mito perigoso é o facto de os condutores pensarem que se aumentarem a velocidade, isso irá diminuir a fadiga. Nada de mais errado, aumentando a velocidade, o cérebro é obrigado a processar mais informação em menor espaço de tempo, desgastando-o mais e, por consequência, aumentando mais a fadiga.

De facto a única estratégia de combater eficazmente e fadiga é repousando e dormindo. No entanto aqui ficam algumas dicas para evitar a ocorrência de fadiga, embora, repetimos, nenhuma delas substitui 8 horas de sono tranquilo.

Principais formas de evitar a fadiga

·        Iniciar a viagem bem repousado

·        Dividir as viagens mais longas em etapas e dormir o suficiente nas noites precedentes

·        Não estabelecer hora de chegada

·        Comer refeições ligeiras

·        Não ingerir bebidas alcoólicas

·        Ter em atenção que determinados medicamentos podem provocar sonolência

·        Manter o veículo bem arejado

·        Ajustar o banco de forma a sentar-se confortavelmente (posição ergonómica)

·        Parar de 10 a 15 minutos a cada 2 horas de condução, sair do veículo e caminhar um pouco, prolongando esse período se necessário

·        Não resistir à fadiga, nem ao sono. É preferível parar e dormir um pouco (20 a 40 minutos) ou passar, se possível, o volante a outra pessoa.

Em jeito de reflexão: os formadores de condução defensiva são muitas vezes confrontados com argumentos por parte dos condutores/formandos relativos à inevitabilidade da sua vida stressada, tendo de trabalhar muitas horas, percorrer muitos quilómetros, visitar muitos clientes, ir a muitas reuniões, etc. Na realidade, de facto, muitas pessoas têm um estilo de vida insustentável, com falta crónica de horas de sono, má alimentação, falta de exercício físico, e que, mais cedo ou mais tarde, terá consequências na sua saúde e potenciará a sua envolvência num sinistro rodoviário grave ou fatal, para si, para outros que viajam consigo ou que partilham o ambiente rodoviário.

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Já ouvi por ai (na comunicação social) alguêm responsável a dizer que como os motoristas Espanhóis podem conduzir as viaturas pesadas durante mais de 4 horas, dentro de Portugal, que os motoristas Portugueses também o deviam poder fazer!...  :o

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Aqui há uns meses atrás passou na 2 um documentário sobre privação do sono. Um tipo submeteu-se a uma experiência em que andou a dormir mal durante uma semana (não sei se lhe limitavam as horas de sono, se o acordavam várias vezes a meio da noite, não vi do início, mas sei que dormia mesmo muito pouco).

Um dos testes que lhe fizeram para o fim da semana foi pô-lo a conduzir numa daquelas pistas de testes com obstáculos e afins. Durante o teste estava ligado a uma máquina que ia registando a sua actividade. Foi notória a quantidade de erros que cometeu (pinos derrubados, travagens a fundo tarde demais, etc). Mas o que me chocou mais foi que, apesar de ele ter estado duas horas a fazer manobras, o seu cérebro "dormiu" mais de 2/3 desse tempo! Ele estava literalmente a dormir de olhos abertos, numa tentativa desesperada de recuperar algum do descanso perdido.

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