lothar_m

No limite das dividas

33 publicações neste tópico

Penhoras aos milhares.

Os três D, como lhe chamam os solicitadores de execução, doença, desemprego e divórcio, explicam muitas das situações de rotura de famílias endividadas. Mas não justificam a maioria dos casos de penhoras, aos milhares, por dívidas de privados a privados. A maior parte tem por base o não pagamento a operadoras de telecomunicações, a empresas de crédito ao consumo e aos bancos e resultam muitas vezes de passos mal dados, além dos limites das capacidades financeiras. E ainda há os devedores profissionais. Recuperar o que todos devem é que se tornou tarefa cada vez mais difícil.

Quase sempre os devedores ignoram as cartas de aviso

Faltam só duas horas para Carla ir buscar os dois filhos à escola e ainda não sabe como lhes vai contar que naquele dia já não dormirão numa grande casa com jardim, mas sim num pequeno apartamento de três assoalhadas, a poucas dezenas de quilómetros dali. "Nem quero pensar como o vou fazer. Não tive coragem para lhes dizer antes. E hoje tem mesmo de ser. Julgo que o pequenino, com três anos, ainda não tem idade para perceber bem o que se passa, por isso vai ser mais fácil. O mais velho, como já tem 11 anos, espero que entenda e não faça muitas perguntas", desabafa, virando a cara para o lado para esconder as lágrimas. Naquela tarde, quente e iluminada pelo sol, do mês de Fevereiro, Carla não conseguia ver luz ao fundo do túnel da sua vida. Tudo lhe parecia cinzento. Uma boa parte daquilo com que sonhou durante anos e veio a alcançar com esforço fugia-lhe agora por entre os dedos com uma rapidez nunca esperada. Não por doença, desemprego ou divórcio, as três situações que os solicitadores de execução chamam de três D, motivos pelos quais muitas famílias acabam com um processo de penhora em tribunal.

Carla é casada, tem saúde e o marido, também. Além disso, tem um emprego estável como secretária na ANA - Aeroportos e Navegação. A penhora da sua casa - executada uma semana antes daquele dia -, onde o casal vivia há seis anos, resulta de uma situação de endividamento no limite, que os fez entrar em rotura mal se iniciou a escalada das taxas de juro, em 2007. O caso é apenas um dos 207 mil processos executivos de penhoras por dívidas de privados a privados, que foram distribuídos pelos solicitadores de execução portugueses em 2008, tal como o DN divulgou na sua edição de quarta-feira.

Esta história com final triste começa em 2003, o ano em que o casal decide mudar-se de um apartamento para a vivenda com rés-do-chão, primeiro andar, jardim e garagem, com uma área total coberta de quase 300 metros quadrados, na Quinta do Conde, concelho de Sesimbra. Na altura, Carla já ganhava um salário próximo dos 1200 euros, mas o marido, tal como hoje, recebia o ordenado mínimo nacional. Ainda deviam muito do empréstimo da anterior casa, por isso, o valor da sua venda não chegou para a pagar ao banco.

Somaram então essa dívida ao empréstimo a contrair para comprar o seu lar da Quinta do Conde, com três assoalhadas e duas casas de banho no primeiro andar, grande sala, cozinha, vestíbulo e despensa no rés-do-chão. Ao todo, ficaram com um empréstimo de 200 mil euros, e aceitaram sem questionar a taxa de juro praticada pelo banco que trabalhava com a empresa imobiliária que lhes vendeu a casa, confessa a mulher.

"Tudo fizemos para dar melhores condições aos nossos filhos", relata Carla, de 39 anos. Nos primeiros anos conseguiram suportar a prestação, mas em Abril de 2007 começaram a falhar. Ela continuava a depositar o ordenado, mas este já não chegava. Em Março de 2008, com o processo de penhora em curso, mandado executar pelo banco, é-lhe penhorada uma parte do salário. "Fiquei com menos 371 euros por mês", conta. Dali até lhe ficarem com a casa foi um ápice. A dívida inicial de 187 mil euros passou para 197 mil, com os juros. As cartas a avisar o casal de que ou pagava ou a casa seria penhorada foram enviadas, mas ficaram sem resposta. Carla assegura que nunca lhe chegaram às mãos. Talvez por extravio do correio. E só em meados de Fevereiro, quando ela recebe um telefonema no seu local de emprego a avisar que estava um solicitador à porta de casa, com elementos da GNR e o serralheiro Leonardo para lhe arrombar a porta, todos a cumprir ordens do tribunal, é que o casal acorda para o pesadelo. "Corri para casa e pedi ao doutor que, pelos meus filhos, me desse uma semana para arranjar outro lar e tirar as minhas coisas. Ele aceitou logo. Foi impecável", diz, com ar humilde e simpático, confessando que não dorme há dois dias , ou seja, desde que começou a embalar as coisas para deixar a casa de sonho. Por tudo isto, inicialmente não queria falar aos jornalistas, e o marido nem sequer permitiu aproximações. "Isto é muito complicado", tenta explicar Carla, não revelando o seu nome de família. De facto, para aquele casal a vida não vai ser fácil nos próximos tempos. As contas foram mal calculadas, quer da parte deles, quer da do banco que lhes emprestou o dinheiro, e acabou por ficar com a casa pelo valor da dívida, ou seja, por 187 mil euros. Só que o banco não perdeu nada, pelo contrário, ganhou com os juros, entregou a casa a uma leiloeira para a vender. Quem ficou a perder foi mesmo o casal.

No jardim da casa amarela, entre os caixotes e vasos desarrumados que hão-de ser carregados até ao final do dia, com a ajuda dos familiares, para a carrinha, a única preocupação de Carla é perguntar ao solicitador como vai ser a partir de agora. "Depois de entregar a casa já não ficamos a dever mais nada, pois não? Já não vou ter parte do salário penhorado?", questiona. Com calma, Luís Sequeira, um dos maiores solicitadores de execução, explica: "Infelizmente ainda não vai ter o salário liberto. Porque a dívida total é de 197 mil euros, com os juros." Por mais algum tempo, Carla, além dos 500 euros que pagará de renda pelo apartamento, terá menos 371 euros no ordenado. E o marido não tem um emprego seguro, tal como ela própria admite. Este ano, alguns riscos ainda pairam sobre as suas cabeças, "vai ser uma luta", conclui, assistindo à partida de mais uma carrinha com coisas da casa. Parte segue para o apartamento, outra parte vai para os sogros, porque lá já não cabe. Naquele dia, infalivelmente, tem de entregar a chave ao solicitador. Ficará com certeza com as memórias dos tempos bons ali vividos e que duraram pouco.

publicado no DN de 7 de Março de 2009

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Sem chegar a este limite já há muita gente tecnicamente falida que ainda não sabe.

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Sem chegar a este limite já há muita gente tecnicamente falida que ainda não sabe.

e que continuam a querer dar um passo maior que a perna....

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Mesmo para quem não quer dar um passo maior que a passada isto pode acontecer. Basta algumas doenças, desemprego........

As pessoas são levadas pela ambição, inveja, pouca experiência de vida, querer ter um estatuto que não podem, bancos a tornar tudo fácil, consultores financeiros a dar conselhos errados,  salários baixos e/ou situação precária de emprego.....

Mesmo assim não deixo de pensar no que estas pessoas sofrem e fazem sofrer aos filhos, por ex.

O que me intriga é tanta gente não ter noção da realidade. Só quando acontecem destas desgraças é que aprendem. Será que aprendem????

Ainda há dias vi, julgo que no fórum, alguém que tinha um rendimento bruto mensal de pouco mais de 1 500 € (2 pessoas), no início de vida, a querer pedir um empréstimo, salvo erro de 150 000 €, sem dinheiro sequer para despesas e entrada!!!!!! É preciso que alguém lhes diga que esperem, que façam um pé de meia, se têm progressões na carreira, etc...O fórum é um bom conselheiro financeiro.

A desgraça noticiada que sirva de lição. Apesar do mercado de arrendamento não ser atractivo, hoje, sem mais rendimentos do que os de trabalho, salários baixos, com grandes perspectivas de mobilidade e até perda de emprego, eu aconselharia o arrendamento. Esta história, cultural, de todos querermos o nosso pedacinho, tem de mudar, pelo menos, até haver mais estabilidade!!

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É no mínimo triste de se ler.

Isto faz-me lembrar na injustiça das hipotecas.

Vai um gajo pedir 100 ou 125 mil euros e dá uma casa de 300 mil euros de hipoteca.

Se um dia, acontecer uma fatalidade, terá o gajo direito a alguma coisa?

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Há uns meses atrás comentava com uma prima que vive em França, a situação que muitos portugueses estão a passar neste momento com o sobreendividamento.

Ao qual ela retorquiu que naquele país, as pessoas o máximo que podem endividar-se é até 35% do salário mensal, a partir daí as instituições estão proibidas de conceder crédito.

Para quando uma medida idêntica para o nosso país?

Porque pelo que vimos até agora, os portugueses ainda não tiveram tempo de aprender a viver com as facilidades absurdas que são dadas na aquisição de créditos.

Infelizmente vamos agora aprender da pior maneira.

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É no mínimo triste de se ler.

Isto faz-me lembrar na injustiça das hipotecas.

Vai um gajo pedir 100 ou 125 mil euros e dá uma casa de 300 mil euros de hipoteca.

Se um dia, acontecer uma fatalidade, terá o gajo direito a alguma coisa?

Em caso de hipoteca e consequente venda da casa em leilão pelo banco, é devido ao banco apenas o valor da dívida. Todo o restante, a haver, é dado ao antigo proprietário.

Geralmente o processo de penhora gera ainda mais despesas que vão ser cobradas no final ao antigo dono, o que normalmente piora ainda mais as coisas e muitas vezes nem com o leilão se conseguem livrar do total em falta...

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O que me intriga é tanta gente não ter noção da realidade. Só quando acontecem destas desgraças é que aprendem. Será que aprendem????

m.elis, infelizmente muitas delas não aprendem

Os casos mais recorrentes que temos aqui no escritório são as dividas de condomínios, as pessoas não pagam, o condomínio mete um processo em tribunal e assim recupera o dinheiro em causa, seria de esperar que isso servisse de lição e a partir desse momento as pessoas pagassem a conta do condomínio. Pois isso muitas vezes não acontece e depois de um processo segue-se outro, ora que necessidade tinham disso? Em vez de pagar só o condomínio acabam por pagar muito mais entre custas judiciais e juros.

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Em caso de hipoteca e consequente venda da casa em leilão pelo banco, é devido ao banco apenas o valor da dívida. Todo o restante, a haver, é dado ao antigo proprietário.

e o que acontece quando o valor da casa é inferior ao valor em divida? o banco tem de assumir o prejuizo ou ainda pode exigir mais dinheiro ao cliente? é que supostamente o banco aceitou a casa como colateral.

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e o que acontece quando o valor da casa é inferior ao valor em divida? o banco tem de assumir o prejuizo ou ainda pode exigir mais dinheiro ao cliente? é que supostamente o banco aceitou a casa como colateral.

Já por esse motivo os bancos raramente emprestam acima de 90% do total do valor da casa, mas nesse caso o prejuizo é sempre do cliente (no caso de desvalorização ou de insuficiente licitação pelos compradores).

Situações dessas não são assim tão raras de acontecer, depois existem sempre aqueles que se aproveitam das verdadeiras "pechinchas"...

As pessoas que julgam resolver em parte a divida podem ficar em situação ainda pior.

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Já por esse motivo os bancos raramente emprestam acima de 90% do total do valor da casa, mas nesse caso o prejuizo é sempre do cliente (no caso de desvalorização ou de insuficiente licitação pelos compradores).

se não me estou a enganar na leitura do teu post, estás a dizer que, em caso de incumprimento contratual por parte do cliente X o banco tem o direito a, para além de tomar posse do imóvel desvalorizado, exigir ainda o pagamento da desvalorização do imóvel? Pensava que o banco apenas tinha direito a tomar posse do imóvel e a partir desse momento o assunto estava arrumado e a dívida saldada.

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Não, o banco ficar com a casa nunca é sinónimo de dívida saldada!! Há casos em que com a compra em leilão o ex-proprietário ainda recebe um valor que sobra, tudo o que é acima da dívida.

Estamos a falar de uma situação limite, em que o proprietário sem poder pagar as prestações, não consegue vender a casa pelo valor da dívida remanescente e nem em leilão levado a cabo pelo banco essa verba é atingida. Aí, todo o empréstimo em falta e os juros entretanto acumulados e custos de todas estas burocracias têm de ser pagas pelo antigo proprietário.

Já deu na TV á bastante tempo em que alguém mesmo vendendo a casa e todo o seu recheio não atingia o montante em dívida, ficou sem casa e ainda assim com divida ao banco...  :P

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Não sei se se deram ao trabalho de ler mas é justamente o caso desta notícia que o lothar_m transcreveu - leiam o último parágrafo...

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Não sei se se deram ao trabalho de ler mas é justamente o caso desta notícia que o lothar_m transcreveu - leiam o último parágrafo...

Além da notícia transcrita (óbvio que o último parágrafo responde às questões levantadas anteriormente) li a notícia toda publicada pelo DN!!! É angustiante como se chega a esta e às outras situações descritas no artigo. >:(

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Por acaso não tinha lido até ao fim... ;D

Sei que todo o processo (penhora, custos do tribunal, juros de mora, custos administrativos do banco com o processo, etc...) são somados no final à dívida e tornam o pesadelo ainda pior.

Realmente também não entendo como este casal, com uma média de rendimentos muito semelhante á minha consegue contrair um empréstimo de 200 mil Euros, ainda entendo menos como lhe foi aprovado pelo banco...  :-\

Isto ultrapassa o bom senso...

Um casal, com rendimento mensal conjunto de cerca de 1700 euros, dois filhos e uma dívida de 200 mil euros...?!  :o

E eu que já julgava o meu empréstimo de 130 mil um pouco exagerado, com as taxas a subirem eu já estava a fazer contas de sumir...  :-[

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Um casal, com rendimento mensal conjunto de cerca de 1700 euros, dois filhos e uma dívida de 200 mil euros...?!  :o

E eu que já julgava o meu empréstimo de 130 mil um pouco exagerado, com as taxas a subirem eu já estava a fazer contas de sumir...   :-[

partilha ai o teu plano de fuga.... pode dar jeito a outros... penso que seria um post pedagógico bem no âmbito do forum.

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Plano??? Nenhum, apenas renegociei o spread até chegar ao mínimo possível (0,25 e ter o pai bancário também ajuda  ;)) .

Nem eu nem a namorada estávamos preparados para este aumento das taxas de juro, até á bem pouco tempo era um completo ignorante nesse assunto, nem sonhava que o aumento fosse brutal...

Comecei com prestaçao de €450 em 2005 e o ano passado já atingia os €620 mais €53 de seguro mensal de vida, estava a tornar-se um caso sério. E nós nem temos filhos!!!

Ponho-me no lugar dessa família acima referida e não consigo entender como se alimentavam sequer...

Felizmente as coisas estão agora a normalizar e o crédito baixou para os €465 e já consigo fazer algum "pé de meia" para o caso disto descambar novamente. :)

Temos um rendimento muito semelhante a essa família (cerca de 1600) e achamos que o nosso crédito foi um voo um bocadinho alto demais, agora imagina pedir mais 70 mil Euros ao banco.... Era o fim da macacada!  ;D

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lol.

como falaste em "sumir" imaginei que estavas a preparar um plano de fuga para a américa do sul ou qq coisa do género para fugir dos credores!! tipo a meio da noite, via marrocos numa linha aérea "manhosa".

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lol.

como falaste em "sumir" imaginei que estavas a preparar um plano de fuga para a américa do sul ou qq coisa do género para fugir dos credores!! tipo a meio da noite, via marrocos numa linha aérea "manhosa".

;D  Era uma piada...

Temos de levar isto da crise sériamente brincando, a bem da sanidade mental...  ;)

Se a Euribor continuava a escalada daquela maneira ía ser o bom e o bonito....  :P

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Soube ainda agora de um casal que se endividou através de créditos de telefone, contraiu outros para pagar uns (bola de neve) e quando a família deu conta estavam a passar necessidades básicas em casa.

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Eu sou um pouco radical nesta matéria.

Para começar sou contra ajudas do Estado ao pessoal que fica em dificuldades por uma razão: quem teve juízo, foi poupado, não viveu acima do que podia fez muito bem, quem fez vida de rico sem o ser, agora é ajudado e é coitadinhos para aqui e acolá! Azar...

Conheço gente que ganha 500 ou 600 euros e espetam 400 num LCD, outros vão passar férias para destinos longinquos. Vivem sempre no limite e basta terem que comprar umas aspirinas e já não têm dinheiro. E aquele pessoal que já não tem dinheiro para gasolina, mas depois vai jantar e ao cinema quase todos os fins de semana, ou fazem compras só para estar na moda pq é altura de saldos (até parece que em tempo de saldos não temos que pagar pelas coisas!).

É preciso ter-se juízo. E, salvo rarissimas excepções, é que tenho "pena" de alguns infelizes.

O meu rendimento mensal e da minha namorada é de cerca de 1700 euros liquidos mensais (a contar com subsídios de férias, natal e mais uns "biscastes" chega facilmente aos 2000 € mensais.) Comecei a trabalhar há 2,5 e ela já trabalha há uns 4/5.

Poupamos, comprei recentemente um T4 novo (à custa dos azares de quem compra e compra sem pensar), "apenas" precisava de 55 mil de empréstimo, mas pedi um pouco mais para segurança.

Agora tenho que equipar a casa (inclusive radiadores e caldeira) e nem que não a equipe toda não gastarei mais de 17 mil! Equiparei o essencial. Nem que fiquem divisões por equipar. E pq? Pq não brinco com a minha vida e quero ter a certeza que no caso de ficarmos os dois sem trabalho e embora tenhamos direito a desemprego, tenho um pé de meia suficiente para pelo menos pagar a casa e sobreviver durante 7/8 meses sem subsídios).

E só ganhamos o que disse acima. Temos carros (o dela é usado e o meu é novo e tudo pago a pronto. Claro que o meu é um Fiant Punto que custou 14 mil. Mas, é meu, está pago e facilmente poderia comprar um carro de 25 ou 30 mil. Mas, gosto de pensar no futuro).

É verdade que, penso eu, fiz um negócio razoável na compra da casa. Digamos que escriturei a casa por um valor inferior à avaliação do banco em 35 mil, mas se não tivesse feito este negócio iria gastar o mesmo. Andava à procura de T3 usados para os valores que paguei. Claro que gostava de ter um T3 Duplex ou outra coisa qq, mas nunca na vida com o que ganho me passou pela cabeça comprar apartamentos acima de 125 ou 130 mil, como vejo amigos e conhecidos a comprar casas de 170, 200 mil, com prestações de 500 e 600 euros!!!

A quantidade de pessoas que perdem carros por não os pagarem é incrivel. Carros que pagos a pronto custariam 15 mil ficam com as prestações em 22 mil e depois como não se paga fica-se sem carro, sem as prestações pagas, com emprestimos para pagar a tentativa de resgatar o carro e mesmo depois de vendido o carro o dinheiro não chega e ainda é preciso pagar as despesas do credor...

Mas, o pessoal não pensa?! Como é que uma família com uma subida de 100 euros numa prestação entra em falência? E muitas vezes nem sequer é preciso grandes subidas ou azares. Basta uma despesa fora do comum como uma batidela com o carro, uma consulta médica de uma qq especialidade, ou a entidade patronal em vez de pagar no dia 10 só o faz no dia 15.

Qts pessoas em dificuldades pagam 50 euros mensais em tvcabo, prestações da casa, dos carros, das férias, dos electrodomésticos? Conheço gente que faz empréstimos desses por telefone para pagar cartões de crédito!!!! Conheço gente que vive em casas fracas, mas que têm na garagem Volvos em 2ª mão e jipes!!! Conheço gente que está em dificuldades e já precisa da ajuda dos pais para "pequenos" pagamentos, mas que não dispensa o pequeno almoço no café, ou uma ida a uma loja qq que esteja na moda a um ou dois distritos de distância! E aquele que já não tem dinheiro para pagar o tarifário e o muda para um livre sem carregamentos, mas a seguir compra um telemóvel novo pq o outro já é velho!

Brincam comigo?

Actualmente, reconheço que a vida está muito complicada, mas estes problemas sempre existiram em demasia, mesmo antes desta crise. Qts vezes ouvimos: "É pá só são mais 30 euros todos os meses e tenho a Sporttv. E mais 10 euros tenho telefone grátis. " Isto tudo vai somando.

Num empréstimo de 150 mil e a pagar mensalmente 750 euros (o que a maioria dos portugueses não consegue) demoraria 17 anos anos a pagar apenas o capital!!! Como é que tanto português pediu empréstimos assim!!! Veja-se o caso dado no 1º post. Para pagarem apenas o capital do empréstimo e mesmo que canalizassem todo o rendimento demorariam 10 anos a saldar a dívida. Será que as pessoas não pensam! Com 2 filhos a ganhar o que ganham, metem-se numa casa de 200 mil euros!!!

Em conclusão, a grande maioria está mal pq vive acima das capacidades. E a culpa é deles e só deles. Podemos dizer que os bancos são uns ladrões e isto e aquilo, mas ninguém nos obriga a pedir. Mas, todos queremos casas... pois mas, há casas à venda desde 50 mil euros... são fracas... também os nossos rendimentos.

Qt aos que realmente tiveram um grande azar apenas lhes posso dar uma palavra de conforto.

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Boa tarde a todos! acabei de lei o seu comentario ildemaro, e subscrevo todas as palavras que disse. são maneiras de pensar duras, mas no fundo é a pura realidade.

Nunca se deve dar um passo maior que as pernas, corremos o risco de dar um grande tombo.

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Não podia estar mais de acordo com o Ildemaro...

Comprei casa em 2007 e realmente o povo portugues tem a "mania" de ter posses, de comprar e ter algo para mostrar...!!!Se soubesse o k sei hoje talvez não comprasse casa (e sei k fiz um bom negocio com a minha casa).

Não tenho cartões de credito, nem os quero, tenho conta ordenado mas esforço-me bastante para não ficar negativa... raramente recorro a creditos e se tivesse oportunidade comprava tudo a pronto mas como já sabemos é um pouco dificil....

O meu objectivo para este ano é juntar um bom pé de meia com o meu namorado e depois ir juntando alguma verba para amortizar os emprestimos ( habitação e multiopções).

Tudo o resto vem por acrescimo...as ferias, os jantares em restaurantes, as compras pessoais...!!

é assim k eu penso e axo k penso bem...

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Falando em ajudas do estado o que dizer disto que vem no público de hoje?

E quem tem casa arrendada e tem um elemento do agregado no desemprego também têm direito?

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@Ildemaro: parabéns. puseste o dedo na ferida e dói que se farta.

Subscrevo totalmente o q escreveste. Nesta, como em outras matérias, insistem em premiar quem teve mais olhos que barriga, tentando satisfazer um nível de vida que não é comportável (plasmas, consolas, viagens, carros, tvcabo, etc). Infelizmente, este comentário também vale para o estado portugues, que é porventura o exemplo maior de má gestão e desperdício de recursos (pagos com os nossos impostos, naturalmente) desde há largos anos.

um comentário também para a noticia do publico do martinho que avança a redução em 50% da prestações do credito à habitação das famílias desempregadas por um periodo de dois anos. Mais uma vez, o PS opta por jogar dinheiro para cima dos problemas esperando que daqui a dois anos a crise no estrangeiro esteja resolvida. Em que medida é que isto combate o desemprego? quantos postos de trabalho se vão criar com isto? a resposta é sempre a mesma, toca a subsidiar. Para auxiliar os desempregados já nao existe o subsidio de desemprego? 

E onde se vai buscar o dinheiro para financiar esta medida? os impostos já estão a niveis mt elevados, sobra o credito no exterior, logo mais divida pública que ainda temos pouca! O que é preciso é chutar a bola para a frente e quem vier atrás que resolva.

Provavelmente os grande beneficiários desta medida vão ser os bancos, que se livram de uns quantos milhares de clientes de CH em insolvência.

Estarei a ser demasiado duro? Injusto? Apenas me parece que a solução neste país é sempre a mesma... jogar dinheiro para cima dos problemas... dinheiro que não temos como é óbvio.

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