Eurico, o presbítero

IRS - Venda de Obrigações... Estarei a fazer bem?

16 publicações neste tópico

Estive hoje a encerrar o meu IRS e deparei-me com um facto que me assustou...

Os meus principais rendimentos vêm do trabalho (meu e da minha esposa), mas também tenho rendimentos prediais (rendas) e aplicações de poupanças nos bancos. Uma parte dessas aplicações, até mais por indicação do meu gestor de conta, têm sido canalizadas para a compra de Obrigações (de bancos, grandes empresas e de OT do Estado).

Ora em 2013 vendi uma boa parte dessas Obrigações, porque o momento era propício - nomeadamente as OT do Estado e de bancos atingiram valores interessantes e eu, repito, por conselho do meu gestor, decidi vender.

Acontece, que agora que estava a preencher o IRS e, naturalmente, a declarar os rendimentos obtidos com as Obrigações que vendi em 2013 (não tenho acções), verifico que o imposto que tenho a pagar vai subir para... mais do dobro!!!

Isto é, comparando as simulações com e sem as Obrigações, constato que, ao adicionar as Obrigações, o meu imposto a pagar/IRS sobe para mais do dobro!

Francamente, esta situação não me agrada nada e leva-me a pensar se fui bem aconselhado no banco. É que posso ter feito um "bom negócio" com as obrigações, só que agora, com esta enorme PAULADA que eu vou levar, o proveito que eu eventualmente teria vai completamente... por água abaixo! É que o meu imposto passa para mais do dobro! Francamente...

Ou será que estarei a fazer alguma coisa errada no preenchimento do IRS (Anexo G)? Eu percebo pouco de "aplicações de dinheiro", mas... quando se vendem Obrigações não se paga já um imposto?

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Pagas a retenção de IRS quando recebes o cupão, e também as comissões do banco mas não pagas o imposto sobre as mais valias.

É muito provável que investindo em obrigações em 2013 tenhas feito mais valias interessantes, no entanto agora terás sempre que pagar o imposto sobre a mais valia.

Não percebo porque questiona se terá sido bem aconselhado pelo banco, afinal eles apresentaram-lhe um negócio onde ganhou dinheiro. Para além do mais não pode dizer que o proveito vai completamente por água abaixo porque, ou realmente preencheu a declaração mal, ou o imposto é de 28% sobre a mais valia, descontando comissão de venda, tudo o resto é seu.

Naturalmente que não pode comparar o seu IRS sem e com mais valias e achar muito, da mesma forma se simulasse com e sem o anexo F também teria valores diferentes seguramente.

Tendo mais valias há que pagar imposto, custa a todos, e a taxa é absurdamente alta mas é mesmo assim.

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Não percebo porque questiona se terá sido bem aconselhado pelo banco, afinal eles apresentaram-lhe um negócio onde ganhou dinheiro. Para além do mais não pode dizer que o proveito vai completamente por água abaixo porque, ou realmente preencheu a declaração mal, ou o imposto é de 28% sobre a mais valia, descontando comissão de venda, tudo o resto é seu.

Eu questionei o aconselhamento do banco apenas porque, num raciocínio linear, se eu em vez de Obrigações tivesse aplicado as minhas poupanças em Fundos de Investimento ou em Certificados de Tesouro, não estaria agora a ver o meu IRS a aumentar para mais do dobro!!!.. É que estamos a falar de um imposto a pagar na ordem dos 5 dígitos!!! Custa muito...

Se eu tivesse aplicado o meu dinheiro noutro tipo de produto, não estava agora a apanhar esta enorme PAULADA... Foi esse o sentido do meu "desabafo"...

Seja como for, Obrigações nunca mais!.. Admito que esta minha reação seja "psicológica" (se o imposto fosse "retido na fonte" eu nem notava e... estava a pagar na mesma ao Estado), mas custa-me muito ver o meu IRS subir para mais do dobro...

P.S. Já estive a rever o Anexo G e, aparentemente, não cometi nenhum erro de preenchimento. Está tudo correto. De inicio, como recebi declarações dos bancos também em nome da minha mulher, pensei que pudesse ter havido, da minha parte, qualquer duplicação, mas não. Infelizmente, está tudo certo e bem preenchido. Pelo visto só tenho mesmo que pagar. É pena...

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Um bancário ( e o Banco ) não é contabilista e não tem nem deve sequer saber o que vai acontecer numa declaração de IRS que vai ser apresentada mais tarde, apenas tem de apresentar a aplicação e ponto final.

Se teve mais valias como sabe, pelo menos pelo que percebi há uns tempos trabalhava na área financeira, terão de ser declaradas e serão tributadas em 50%, se o seu rendimento passa para o dobro então teve uma boa mais valia, a juntar aos cupões que já obteve como disse o ChupaMisto, e agora o Banco ainda é o vilão?

Já agora, a fiscalidade é um dos pontos que me faz ir mais para Fundos do que para Acções e Obrigações, no entanto há boas oportunidades nas obrigações, têm agora as do Porto, mais pelo cupão, porque este tipo de obrigação não ultrapassa muito os 100% ao longo da vida pelo que me tenho apercebido.

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Os bancários não adivinham a situação fiscal de cada cliente. Eu também tive umas valentes mais valias com a compra e venda de OTs, que me iam levar a pagar IRS. No entanto, por em valores absolutos não ser assim tão elevado e por eu poder optar pelo englobamento, levo apenas com 14.5% sobre isso e acabo por não pagar.

Mas lá está, isto varia imenso de pessoa para pessoa. Como diz o David, se tem de pagar tanto é porque ganhou muito, que se calhar não teria conseguido se tivesse investido noutros produtos.

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Se teve mais valias como sabe, pelo menos pelo que percebi há uns tempos trabalhava na área financeira, terão de ser declaradas e serão tributadas em 50%, se o seu rendimento passa para o dobro então teve uma boa mais valia, a juntar aos cupões que já obteve como disse o ChupaMisto, e agora o Banco ainda é o vilão?

Caro amigo, não é o meu "rendimento que passa para o dobro" mas sim o imposto que vou pagar, em sede de IRS, que sobe para mais do dobro...

Quando eu tenho a gerir a minha conta um "financial adviser", espero que esse funcionário exerça o aconselhamento que o nome do seu cargo ostenta. Dentro desse aconselhamento, a componente fiscal dos produtos é, a meu ver, uma premissa importante que não pode ser escamoteada.

Claro, sempre me pode dizer que essa é uma "obrigação" estrita do cliente e que o funcionário do banco é apenas um "vendedor" de produtos - e eu aceito que assim seja - mas, convenhamos, havendo nos dias de hoje uma ligação estreita entre cliente e gestor, seria de esperar que esse aconselhamento/informação se estendesse também pela área fiscal.

Mas isso agora é secundário. Os factos são o que são e cabe-me a mim, agora, geri-los.

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Os bancários não adivinham a situação fiscal de cada cliente. Eu também tive umas valentes mais valias com a compra e venda de OTs, que me iam levar a pagar IRS. No entanto, por em valores absolutos não ser assim tão elevado e por eu poder optar pelo englobamento, levo apenas com 14.5% sobre isso e acabo por não pagar.

Mas lá está, isto varia imenso de pessoa para pessoa. Como diz o David, se tem de pagar tanto é porque ganhou muito, que se calhar não teria conseguido se tivesse investido noutros produtos.

Eu não sei o que considera "ganhar muito". Na minha opinião, as aplicações que fiz em Obrigações (basicamente OT´s e Obrigações de bancos), embora as tenha vendido, todas, a preços superiores aos de aquisição, em nenhum caso se mostraram "negócios da China". Em 9 operações, tenho um diferencial entre Realização e Aquisição à volta dos 18k, o que dá uma média de 2k por operação, o que, atendendo aos montantes envolvidos, não considero nada de extraordinário. E agora vem a "paulada" dos 28%...

Enfim, o que está, está e não vou mais pensar nisto. Vou pagar o IRS que me compete e aprender...

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Acha 18k pouco? Não sei quanto tempo deteve essas obrigações nem a % de rendimento, mas 18k de mais valias é um bom dinheiro, logo não me surpreende ter pagar IRS sobre isso tudo. Quanto maior o património financeiro, maior o imposto aplicado.

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Acha 18k pouco? Não sei quanto tempo deteve essas obrigações nem a % de rendimento, mas 18k de mais valias é um bom dinheiro, logo não me surpreende ter pagar IRS sobre isso tudo. Quanto maior o património financeiro, maior o imposto aplicado.

Todos sabemos que entre 2010 e 2013 houve Obrigações (nomeadamente, OT e bancos) que se valorizaram. Contudo, e muito honestamente, tendo em conta os montantes aplicados, não me parece que qualquer das Obrigações que adquiri (e vendi em 2013) me proporcionasse um "negócio da China". Valorizaram, é certo, mas dentro dos valores de mercado espectáveis.

Bem, mas agora, que está na altura de "encostar a barriga ao balcão" e declarar/pagar o IRS, "subjectivismo" (sobre "se é muito ou se é pouco") é coisa irrelevante. A minha preocupação é/era a de estar a cometer um qualquer erro na declaração. Verificado que as coisas são mesmo assim, há que pagar o imposto que é devido e... andar pra frente!

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Se tivesses investido em fundos que tivessem imitado esse comportamento, a principal diferença é que o imposto seria retido logo à cabeça no próprio fundo. Terias dito que o rendimento teria sido maior se apostasses em obrigações em vez de no fundo, porque na altura te ias esquecer que ias ter de pagar o imposto mais tarde :)

Se tivesses deixado as obrigações atingir a maturidade não pagavas imposto sobre as mais-valias. Em compensação o dinheiro tinha ficado empatado em vez de voltar para o teu lado e o poderes investir de forma a render novamente (imagino que ainda faltassem alguns anos até à maturidade senão sim, provavelmente não compensaria o tombo).

As contas não são muito lineares de se fazer. Mas para a maioria dos casos, mesmo tendo agora essa "paulada", provavelmente saíste a ganhar... ou pelo menos não perdeste tanto como parece à primeira vista. O que podes é avisar o teu PFA que para a próxima tente ter esse efeito em conta - da mesma forma que quando começa a sugerir investimentos mais lucrativos mas com risco e o cliente diz que não quer ir por aí, ele sugere outra coisa...

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Um gestor de conta, PFA ou o nome que lhe queiram dar não tem obrigação de saber nem de dar opinião sobre fiscalidade, ponto final, sei do que falo porque trabalho na área da contabilidade, quem deve dar opiniões sobre tais questões são as finanças, como é obvio, e contabilistas.

O que um gestor de conta pode dizer, e parto do principio que todos deveriam saber o minimo, é que as obrigações são declaráveis na maturidade ou na sua venda, haja mais ou menos valias, depois o cliente até pode perguntar quanto é que ele acha que isso vai mexer no rendimento, mas a resposta deve ser para o cliente se dirigir ás finanças ou a um contabilista, cada um com a sua função, não queiram agora que um gestor de conta seja contabilista.

Bem sei que a sigla PFA " Personal Financial Advisor" seja um pouco enganador, mas também teremos de pensar o seguinte, como é que um fulano que trabalha num banco pode ser nosso Consultor Financeiro?? óbvio que não pode, se queremos um Consultor Financeiro temos de pagar por ele e numa Consultora Financeira, não é no banco que o vamos achar.

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Se tivesses deixado as obrigações atingir a maturidade não pagavas imposto sobre as mais-valias.

Tem a certeza do que afirma?

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Não pagava se as tivesse comprado ao par, como penso que não foi o caso teria que pagar na mesma, a diferença é que ia ao anexo E em vez de ir ao G, o que pode ser vantajoso, ou não, depende dos outros rendimentos e da taxa de IRS atingida.

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ja alguem recebeu reembolso do irs?

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Tem a certeza do que afirma?

Como o ChupaMisto disse, tinha de declarar as mais valias no anexo E, no quadro dos rendimentos de englobamento obrigatório. Se a sua taxa de IRS for superior a 28% (o que quase certamente é, mais os 3.5% de sobretaxa) era quase de certeza bem pior.

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